sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Os elefantes brancos da engenharia brasileira

BR 230 - Rodovia Transamazônica

A engenharia civil tem como grande destaque a criação ou adequação de espaços para infinitas destinações. Nós, como engenheiros civis, construímos edifícios residenciais, comerciais, shoppings, estradas, pontes, barragens, etc. Porém, sem o devido investimento, o que deveria se tornar grandioso se torna esquecido e, por fim, abandonado.
Temos no Brasil diversas obras que demandaram ou ainda demandam grandes investimentos e que o benefício dessas são aparentes, todavia, a má gestão dos governantes se esbarra com o progresso. O grupo PET Civil destaca quatro grandes obras que são, de longe, tema para grandes discussões sobre dinheiro público sendo jogado fora e o papel social que o engenheiro civil tem para impedir ou quem sabe intervir nessas obras.

Ponte Internacional Brasil – Guiana Francesa

Conhecida como ponte Binacional, tem como principal objetivo ser a primeira interligação por terra entre os dois países. Os investimentos na ponte chegam a 61 milhões de reais por parte do governo brasileiro e ela está pronta desde 2011, porém, por atrasos na construção da rodovia que interliga o Macapá, a ponte ficou inutilizada até recentemente.
A aduana da polícia federal é provisória e a definitiva está orçada em mais de 13 milhões de reais, só quando esta estiver pronta é que a ponte enfim será inaugurada. O tráfego no local, entretanto, já é liberado.

Ponte Binacional - Brasil/Guiana Francesa

Transposição do Rio São Francisco:

O projeto prevê a criação de 470 km de canais, estações de bombeamento, recuperação de 23 açudes e construção de 27 reservatórios interligando 390 cidades do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte que sofrem com seca. Inicialmente prevista para 2012, a obra de 4,7 bilhões de reais saltou para 8,2 bilhões de reais e só será entregue no final de 2015. Atualmente, a construção está com 63% das obras concluídas.

Foto de um canal no Ceará, Transposição do Rio São Francisco


Fura-Fila

As obras do fura-fila, em São Paulo, se alastram desde 1997, inicialmente projetado para ser um corredor expresso para veículos leves sobre pneus. O prefeito na época, Celso Pitta, consumiu em três anos mais de 270 milhões de reais e nada foi entregue. A prefeita Marta Suplicy, entre 2001 e 2004, renomeou o projeto para Paulistão e o custo durante esses 4 anos subiram para 330 milhões de reais, apenas na gestão de Gilberto Kassab, em 2007, que foi entregue o primeiro trecho da obra, que custou cerca de 594 milhões de reais.
O preço total do projeto estima-se em 2,3 bilhões ligando a Vila Prudente e a Cidade Tiradentes e será concluído até 2016.

Fura-Fila - São Paulo/SP

Rodovia Transamazônica

Com a ideia de facilitar o desenvolvimento da região nordeste e norte do Brasil, o general Emílio Garrastazu Médici lançou em 1970 o Plano de Integração Nacional (PIN), que tinha como função promover a integração do Sul – desenvolvido, rico, industrial – com o Norte – subdesenvolvido, pobre, agrícola. O investimento da época chegou a 1,5 bilhão de dólares, cerca de 7,7 bilhões de dólares atualmente, para construir 4073 km, equivalente a interligar Lisboa com Moscou. Porém, o que vemos hoje é mais de 50% da estrada não asfaltada e durante o período de chuvas fica impossibilitado o trafego nesses trechos.

BR 230 - Rodovia Transamazônica