quinta-feira, 28 de março de 2019

O uso de Energia Renovável

Por Nathany Cilli

Energia renovável, energia alternativa ou energia limpa são três nomes usados para qualquer tipo de energia que use fontes renováveis e que não geram grandes impactos negativos ambientais, ou seja, toda energia proveniente de uma fonte que se renova naturalmente de forma cíclica, que estão sempre disponíveis para a utilização e não se esgotam, produzindo menos CO2 para a atmosfera.
Com a evidência do desequilíbrio entre o desenvolvimento econômico e o meio ambiente, muito tem se falado em utilização de energia renovável, fazendo com que essa discussão chegue ao ponto máximo de que todos os países do globo, usufruem dessa energia. Além de contribuir para a poluição, algumas fontes de energia utilizadas atualmente são de difícil acesso, geram degradação ambiental e também tem muitos riscos em seu processo de transformação.
O Brasil possui uma matriz energética predominantemente renovável. O restante do planeta possui essa matriz com base em combustíveis fósseis sendo energias renováveis, incluindo a energia hidráulica.

Figura 1- Matriz energética brasileira e do mundo
Fonte: MME/BEN(2006)


Tipos de Fontes de Energia Renováveis e sua Utilização

Energia Solar

É o recurso natural mais abundante e com maior disponibilidade em todo o planeta, a luz do sol. Os raios solares podem ser usado de forma direta, para aquecimento de água, ou de forma indireta, produzindo energia elétrica por meio do uso das células fotovoltaicas(transformação da radiação solar em energia elétrica por meio de placas que ficam expostas sob a luz do sol)

Figura 2- Placas fotovoltaicas

Energia Eólica

Por meio de turbinas, a força dos ventos é convertida em energia mecânica e, posteriormente, em energia elétrica. Hoje em dia, novas tecnologias têm sido estudadas, tornando as turbinas mais eficientes. A emissão de CO2 dessa fonte de energia alternativa é mais baixa que a da energia solar e é uma opção para o país não depender somente das hidrelétricas.

Figura 3- Parque Eólico
      Fonte: https://www.portal-energia.com/vantagens-desvantagens-da-energia-eolica/

Biomassa

É a geração através da queima de materiais orgânicos, derivada de plantas ou de animais, como o bagaço da cana-de-açúcar, álcool, madeira, palha de arroz, óleos vegetais, entre outros. Embora a queima desses materiais libere gases poluentes na atmosfera, ela é considerada uma forma limpa de geração devido ao fato que essa quantidade de CO2 é absorvida no cultivo desses materiais, zerando os impactos ambientais. A biomassa pode ser uma das grandes fontes de energias renováveis se for cultivada de maneira sustentável, ou pode ser uma grande destruidora se manejada de forma incorreta.

Figura 4- Biomassa
Fonte: https://tnpetroleo.com.br/noticia/novas-energias-biomassa-deve-ser-mais-valorizada-com-reforma-do-setor/

O Brasil é uma referência na comunidade internacional em utilização de fontes de energia renováveis.

O Brasil se tornou um grande exemplo de utilização de energias renováveis no mundo inteiro e essa conquista se deve a soma de diversos fatores. O Brasil consegue combinar políticas públicas de incentivo e estímulo a pesquisas de novas tecnologias de fontes renováveis e ao mesmo tempo dispõe de um imenso território com riquezas naturais com grande potencial.
Em 2016, 43,5% de nossa matriz energética era composta de fontes de energia renováveis, enquanto a média mundial era de 14,2%.

Figura 5-Energias Renováveis: Resenha Energética Brasileira 2016
Fonte: MME

Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), o Brasil é o terceiro maior gerador de energias renováveis, que são aquelas que não liberam resíduos ou gases poluentes na atmosfera, assim como o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica em relação ao mundo. As hidrelétricas usufrui do maior porcentual de energia produzido pelo país. Essas usinas geram eletricidade pelo movimento da água de rios, seja por desníveis naturais ou por outros criados artificialmente.
A segunda principal fonte mais usada no país não é limpa, são as usinas termelétricas, que podem ser movidas por gás natural, bagaço de cana e combustíveis fósseis. Mas a tendência é que, nos próximos anos, ela seja ultrapassada pela eólica.

 O uso da energia renovável na construção civil

Apesar da construção civil ter uma grande importância para que o país se desenvolva, sendo uma das principais fontes de crescimento da economia, ela também é considerada um dos setores que mais impactam negativamente o meio ambiente, principalmente por causa dos recursos naturais, sendo responsável por 8% do total de emissões de gases do efeito estufa.
Contudo, o ramo de energias renováveis vem sendo avaliado com bons olhos podendo ser um grande aliado para diminuir os impactos causados pela construção civil. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética(EPE), o uso de renováveis passou de 39,4% para 41,2% em 2015. A energia eólica, obteve uma variação de 2% para 3,5 e a energia solar de 0,01% também em 2015..
Pode-se citar como destaque, os painéis fotovoltaicos provenientes da energia solar, que estão cada vez mais aumentando seu uso nas edificações, justamente por causa da redução de custos e da sustentabilidade. Um dos principais motivos da utilização de energia solar é o fato dela ser renovável, e pela localização em que o Brasil se encontra, onde a alta incidência dos raios solares, que são abundantes e sem custo, proporcionam um forte potencial para a geração de energia.
Com isso, é inegável que a energia solar torna o empreendimento mais sustentável, assim como qualquer outro tipo de energia renovável. Tudo isso pode ser implementado e integrado na construção civil, evitando grandes danos agressivos à natureza.

Referências

O mercado da Construção Civil. Disponível em: http://blog.alsolenergia.com.br/2017/12/construcao-civil-energias-renovaveis/. Acesso: 23/03/2019
Fontes de Energia Renováveis. Disponível em: https://blog.bluesol.com.br/fontes-de-energia-renovaveis/. Acesso: 23/03/2019
O que é Energia Renovável. Disponível em: https://www.ecycle.com.br/5031-energia-renovavel. Acesso: 23/03/2019
Energia renovável na Construção Civil. Disponível em: http://eletrotartari.com.br/dicas/energia-renovavel-na-construcao-civil-entenda-sua-importancia. Acesso: 23/03/2019






sexta-feira, 8 de março de 2019

Barragens de rejeitos e seus métodos de construção

Por Náthali Giacomini

      Devido às tragédias recentes que aconteceram no Brasil, muito tem se falado sobre as barragens de rejeitos. Nesta matéria, explicaremos um pouco mais sobre o que são elas e quais são os principais tipos.

O que são as barragens de rejeitos?

    São estruturas de grande porte que tem como função a retenção de resíduos sólidos e água provenientes de processos de extração de minérios. O armazenamento desses rejeitos é necessário para evitar danos ambientais.

       Os rejeitos, por sua vez, podem ser de dois tipos: o fino, também chamado de argila, que possui baixa permeabilidade e alta compressibilidade e o granular, que é composto por areias finas e médias, possui alta permeabilidade, baixa compressibilidade e pode ser utilizados inclusive para a construção da própria barragem. 

       Uma vez dispostos nas barragens, os rejeitos passam por duas fases. A primeira delas é a fase de construção, na qual ocorre sedimentação e compressão imediata, além de adensamento e filtração. Passado esse processo de acomodação inicial dos rejeitos, vem a segunda fase, na qual ocorre, então, a dessecação e dessaturação. É nesta etapa que a barragem tem a sua vida útil.

      Já o armazenamento funciona da seguinte maneira: inicialmente é construído um dique de partida, que funciona como uma barragem de contenção comum. Porém, em determinado momento, torna-se necessário ampliar a capacidade da barragem, e isto é feito através de um procedimento conhecido como alteamento, no qual são construídos diques adicionais de modo que a barragem se torne mais alta e, assim, possa armazenar mais rejeitos. Existem três métodos principais de alteamento:


Método de alteamento a montante

       É o método com custo mais baixo. Consiste no depósito dos rejeitos hidraulicamente até a crista (parte superior) do dique de partida, formando assim uma “praia de rejeitos” que, com o tempo, se adensa e serve de fundação para os próximos diques de alteamento, que são construídos com o próprio material do rejeito. Esse processo se repete até que seja atingida a altura máxima de alteamento prevista. Apesar de ser um procedimento mais simples e mais barato, é também o menos seguro e, por conta disso, já foi proibido em países como o Chile e Peru. No Brasil, após o rompimento da barragem de Brumadinho e, anteriormente, de Mariana, foi publicada uma resolução por parte do governo que determina que as barragens a montante e método desconhecido - que totalizam 88 - devem ser eliminadas até 2021 no caso das desativadas e até 2023 no caso das em funcionamento. 




Fonte: Época Negócios



Método de alteamento a jusante 

     Da mesma forma que o método de alteamento a montante, os rejeitos são depositados hidraulicamente até a crista do dique de partida. Conforme é alcançado a borda livre desse dique, são feitos alteamentos sucessivos para jusante (parte “posterior” à barragem). A vantagem desse método é que a altura não precisa ser restringida em prol da estabilidade, sendo a área do terreno disponível o único limitante da altura final da barragem. Por outro lado, a construção desse método mais conservador possui maior custo, tanto por causa do volume de aterro necessário quanto por causa da grande área que ocupa. O Brasil possui 151 barragens de alteamento a jusante. 


Fonte: Época Negócios

Método de alteamento da linha de centro


      É um intermédio entre os dois métodos apresentados anteriormente. Da mesma forma que o método a montante, os rejeitos são lançados a partir da crista do dique inicial e, assim como o primeiro, os alteamentos são construídos com diques sucessivos. A principal diferença entre eles então, é que no método da linha de centro é mantido o eixo de simetria da barragem constante, o que garante maior estabilidade que o método a montante sem necessitar de tanto material e espaço quanto o método a jusante. É considerado o método mais seguro para a construção de barragens. O Brasil possui apenas 37 barragens construídas por esse método.

Fonte: Época Negócios


      A importância dessas barragens não pode ser negada. Até que seja encontrada uma forma eficiente de reaproveitar os rejeitos, é de comum acordo que eles devem ser armazenados e não lançados ao meio ambiente. Entretanto, como foi mostrado, há formas mais seguras de construí-las do que o método a montante que, felizmente, a partir de agora não poderá mais ser utilizado no nosso país.

Referências:

JULIO, RENNAN A. “Modelo de barragem usado em Brumadinho e Mariana é o mais barato e menos seguro”. Disponível em . Acesso em 07 de março de 2019.

ERDELYI, MARIA FERNANDA; CAVALLINI, MARTA. “Governo determina eliminação de barragens como a de Brumadinho até 2021”. Disponível em . Acesso em 07 de março de 2019.

TREVIZAN, ALVARENGA; TREVIZAN, KARINA. “Brasil tem 88 barragens do tipo 'a montante ou desconhecido', metade com alto potencial de dano, diz agência”. Disponível em:. Acesso em 07 de março de 2019.

INSTITUTO TECNOLÓGICO VALE. “Tecnologia de Barragens e Disposição de Rejeitos”. Disponível em . Acesso em 08 de março de 2019.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O BIM e seu diferencial no planejamento de obras


Por Felipe Pizatto

O que é BIM?

Hoje em dia se fala muito a respeito do BIM, da sua importância e do seu impacto na construção civil. Mas apesar de se falar muito sobre, muita gente ainda tem uma ideia equivocada do que é o BIM, alguns pensam que é simplesmente uma modelagem tridimensional do projeto, outros pensam que é um software em específico, na verdade, o BIM utiliza um modelo em 3 dimensões, mas ele vai além disso.  
O BIM (Building Information Modeling, ou Modelagem da Informação da Construção, em português) pode ser definido como um modelo digital da edificação que contém todas as características da mesma durante sua vida útil. Com isso o BIM permite aos engenheiros, arquitetos e construtores ter acesso à uma prévia das manutenções que serão necessárias durante o ciclo de vida útil da edificação e também possíveis interferências entre os projetos que a compõe.


Figura 1


Benefícios de se utilizar o BIM

A utilização do BIM traz uma série de benefícios para a execução do projeto, como por exemplo uma melhoria de comunicação entre os diferentes projetos que compõe uma edificação, isso já sana um dos principais problemas que existem na construção civil, que é a falha de comunicação entre as partes envolvidas na elaboração do projeto. Já que o BIM integra todos os projetos em um único modelo, possíveis interferências são identificadas antes de se iniciar a construção, permitindo a solução dos problemas ainda na fase de elaboração do projeto.
Além disso o BIM traz todas etapas da construção de forma detalhada, como uma simulação virtual da construção, o que permite um aumento da precisão de execução do projeto e também uma garantia de cumprimento do cronograma, já que cada etapa pode ser analisada e planejada com antecedência, evitando atrasos e desperdícios.
Também é possível elaborar um planejamento completo do canteiro de obras em todas as suas etapas, levando em conta as transformações que ocorrerão no canteiro com o andamento da obra, permitindo a otimização da logística do canteiro e aumentando a eficiência na execução do projeto.


Modelo tridimensional de uma edificação.
Fonte: Mundo GEO

Importância no BIM para os envolvidos

Apesar do BIM ser utilizado pelos profissionais responsáveis pelo projeto e pela obra, sua importância se estende a todos os envolvidos no empreendimento.
Para o investidor, o BIM é uma garantia de precisão nos prazos e custos do empreendimento, não só durante a execução, mas também após a conclusão da obra, pois traz informações a respeito das manutenções previstas.
Para os arquitetos, engenheiros e construtores responsáveis, o BIM é uma poderosa ferramenta que facilita a elaboração dos projetos, a comunicação entre os profissionais envolvidos e fornece informações e detalhes precisos a respeito dos cronogramas e etapas da obra.
Para as imobiliárias e corretoras é possível utilizar o BIM para oferecer aos futuros compradores um “tour virtual” pela obra pronta, garantindo uma melhor experiência aos clientes.

Realidade do BIM no Brasil e no mundo

O BIM já é uma realidade em muitos países do mundo, principalmente os países mais desenvolvidos. Alguns países vem utilizando diversas estratégias para incentivar a aplicação desse conceito nos projetos e obras. Dentre exemplos podemos citar países como Estados Unidos e Reino Unido, onde o governo exige a utilização do BIM para novos projetos de obras públicas.
Também em Singapura é realizada uma análise do modelo BIM para a aprovação de projetos arquitetônicos, estruturais, hidráulicos, elétricos e instalações de ar-condicionado.
Na América Latina o Chile se destaca no uso do BIM, pois exige a utilização do mesmo para a elaboração de projetos de hospitais em licitações públicas.
O Brasil, embora o BIM ainda não seja amplamente utilizado, vem seguindo essa tendência mundial, portanto, o uso do BIM é visto como um diferencial pelas empresas do setor da construção civil. O conceito também está sendo inserido aos poucos dentro das universidades do país, mas ainda não é amplamente difundido.

Conclusão

A utilização do conceito BIM, tanto no desenvolvimento quanto nas etapas de execução dos projetos, traz uma série de vantagens para todos os envolvidos no empreendimento. Sua utilização facilita o cumprimento de prazos, aumenta a precisão dos orçamentos e agrega qualidade a obra, em virtude disso o uso do BIM como uma importante ferramenta no planejamento de obras só tende a crescer no mundo todo.

Referências

THOMÉ, Brenda. O QUE É BIM? ENTENDA AGORA O CONCEITO E SUAS APLICAÇÕES. Disponível em: https://www.sienge.com.br/blog/voce-sabe-o-que-e-bim-entenda-o-conceito-e-suas-aplicacoes/. Acesso em: 14/11/2018.

GONÇALVES, Francisco. BIM: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ESTA METODOLOGIA. Disponível em: http://maisengenharia.altoqi.com.br/bim/o-que-e-bim-o-que-voce-precisa-saber/#realidadebim. Acesso em: 14/11/2018.




quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O aprendizado e o Ensino da Análise Estrutural


           Por Prof. Dr. Elvídio Gavassoni

        As estruturas são os elementos que recebem e conduzem as cargas advindas do uso e da existência de uma edificação até a sua fundação[1]. É natural, portanto, que o projetista (Engenheiros e Arquitetos) tenha que lidar com a Análise Estrutural. De modo imperfeito, porém não incompleto, a Análise Estrutural compreende todos os esforços que o projetista faz para responder a três questões fundamentais:1) A que solicitações a estrutura estará submetida durante a vida útil prevista para a edificação? 2) Quais efeitos essas solicitações provocam na estrutura? 3) Como responderão os elementos estruturais aos efeitos neles suscitados pelas solicitações previstas? Na árdua tarefa de conduzir os estudantes pelos intricados caminhos que essas três questões fundamentais, e as numerosas subquestões que delas derivam, professores e livros didáticos têm quase sempre optado pela estratégia de dividir para conquistar.
          Os conteúdos programáticos das disciplinas e as ementas de textos básicos de Análise Estrutural repartem os conceitos, os métodos, as fases, os processos e os critérios do estudo das estruturas em numerosas unidades de conhecimento. Essa estratégia sequencial e linear, extremamente difundida no fazer acadêmico, é de toda incompatível, tanto em sequência lógica quanto cronológica, com o fazer profissional[2]. É natural que o projetista tenha que partir de uma visão global e completa, ainda que rascunhada, dos objetivos, dos requisitos, das limitações e dos intervenientes do projeto estrutural. Somente após o domínio qualitativo das formas e dos esquemas globais, é que o projeto estrutural percorre os caminhos da subdivisão em elementos e seus respectivos dimensionamentos (análise quantitativa) e procedimentos construtivos.
          Em flagrante desconexão com o processo natural do projeto estrutural, estudantes de Arquitetura e Engenharia são treinados, exaustivamente, a lidar com o conhecimento da Engenharia em pequenos blocos. A estratégia se baseia na hipótese de em algum instante (e por sua própria conta) os futuros projetistas conseguirão organizar (em sentido reverso) as informações adquiridas (pregressas e fragmentadas) no entendimento global dos projetos estruturais.
          A hipótese raramente se confirma na prática. A premissa em que ela se apoia possui uma ordem exatamente inversa à ordem natural do processo de projeto estrutural. O processo ensinado e aprendido é, portanto, artificial! Consequentemente, e quase universalmente, o resultado é quase sempre que os recém-formados deixem os bancos da faculdade e entrem nos postos de trabalho com a impressão de que nadam sabem. Eles sabem! Só não sabem que sabem! O conteúdo programático ao longo dos 5 anos das graduações em Engenharia e Arquitetura são tão extensos que me fazem recordar a afirmação do grande engenheiro civil espanhol Eduardo Torroja Miret: “Nas escolas há tanto que aprender que rara vez sobra tempo para pensar”[3]. O que os neófitos não sabem é organizar, e em ordem inversa, as numerosas pequenas peças do quebra-cabeça obtidas nos anos de estudo universitário para visualizar e pensar os projetos estruturais de forma global para solução de problemas profissionais práticos.
              Esse processo de treinamento é altamente eficiente na capacitação dos alunos para resolução de problemas de listas de exercícios e de questões de provas. Problemas artificialmente criados para terem solução do tipo fechada e única. Questões altamente específicas, claramente delimitadas e exaustivamente mastigadas pelos professores e autores de livros didáticos. Contudo, tal metodologia costuma produzir estudantes incapazes de analisar sistemas de problemas complexos. Inábeis para identificar e para confrontar questões básicas versus questões detalhadas. Inaptos para formular, de forma independente, uma estratégia hierárquica e um plano adequado para lidar com os problemas de Engenharia práticos. Problemas reais que não possuem solução única nem fechada.
            A questão que se impõe: Apesar dessas limitações tão universalmente observadas por que essa metodologia se mantém nos cursos universitários e nos livros didáticos? É algo em que penso desde que me tornei professor. E ainda não cheguei a uma resposta conclusiva. Tenho alguns palpites. O primeiro deles é a tradição. Nossos professores nos ensinaram desse modo. Antes deles, os professores dos nossos professores os ensinaram assim. Parece um argumento prosaico. E ele o é! O grande escritor inglês G. K. Chesterton dizia que o negócio dos progressistas é continuar cometendo erros e que o papel dos conservadores é evitar que os erros sejam corrigidos[4]. Mudar demanda tempo e energia. A lei do menor esforço é uma grande força da natureza!
            Outra suspeita que partilho é que a estratégia linear de dividir para conquistar é extremamente viável. Ela facilita, e consolida, as versões tradicionais da organização dos currículos escolares, da aplicação de avaliações de aprendizado e da estruturação dos conteúdos programáticos. A exigência e o esforço intelectual para estruturar livros e cursos de graduação na ordem natural do pensar e do fazer do projeto estrutural têm se mostrado uma demanda alta demais para grande parte dos professores e dos autores.
         Por fim uma sugestão que me ocorre é o esquecimento. Engenheiros e arquitetos (que acumulam os papéis de autores e professores) que já aprenderam a analisar um problema estrutural na ordem natural e não precisam mais juntar pequeninas peças de quebra-cabeças, parecem esquecer, ao perpetuar o modelo clássico de aprendizado e ensino, do constante desassossego que os acompanhava nos bancos das salas de aula e das bibliotecas universitárias.
         O caminho a ser percorrido para que o processo de ensino e aprendizado emule mais o processo natural do projeto estrutural me parece longo e árduo. Porém, possível, e mais ainda, indispensável. Algumas iniciativas pontuais e simples, porém, trariam grandes benefícios. A mais importante, ao meu ver é prover mais experiências com a prática do projeto. Metodologias de aprendizado baseadas em projeto[5] refletem naturalmente a complexidade, a incompletude de dados, as diferentes (e muitas vezes conflitantes) demandas comumente existentes na solução de problemas de Engenharia Estrutural[6]. O uso de situações de projeto no ensino da Engenharia Estrutural é, ao meu ver, uma estratégia viável de reconsiderar e repensar o treinamento de futuros engenheiros e arquitetos para que sejam capazes de dominar problemas estruturais de forma global e completa.



[1] Schodek, D. e Bechthold, M. Structures, 2013
[2] Lin, T. Y. e Stotesbury, S. D. Structural Concepts and Systems for Architects and Engineers, 1981
[3] Philosophy of Structures, 1958
[4] The Everlasting Man, 1925.
[5] Project-Based Learning (PBL) em inglês
[6] Mills, J. E. e Treagust, D. F. Engineering education – is problem based or project-based learning the answer? Journal of Engineering Education, 2003.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

XII Jornada Paranaense do Grupos PET

Aconteceu nos dias 12 a 14 de outubro a décima segunda edição da Jornada Paranaense dos grupos PET, sediada na cidade de Toledo, PR. O evento formado por espaços deliberativos e não deliberativos, contou com a presença de 29 petianos da Universidade Federal do Paraná, sendo dois deles do grupo PET Engenharia Civil.

O evento tem como objetivo unir os grupos PET do Paraná para realizar discussões sobre o caráter e legislação do programa, além de promover a troca de experiências entre os integrantes. Os encaminhamentos gerados através das discussões são levados para os eventos regionais, no nosso caso, o SULPET e, se aprovados nesses, são levados para o Encontro Nacional dos Grupos PET (ENAPET).

O cronograma de atividades foi iniciado com o credenciamento na sexta-feira à tarde (12), seguido pelo almoço e as oficinas, as quais foram sobre: elaboração de artigos científicos, cultivo e plantio de erva-mate, amarras e privilégios, técnicas básicas de defesa pessoal, role-playing games (RPG), compostagem, grafite e a fronteira física da filosofia.
A cerimônia de abertura do evento ocorreu à noite na sexta-feira (12), contando com uma mesa composta por 7 docentes, entre representantes da Universidade e tutores dos grupos PET.

Mesa de Abertura do evento



Em seguida, foi construído um debate entre o Prof. Dr. Claudinei Aparecido Freitas da Silva, tutor e petiano egresso do PET Filosofia da Unioeste, e o Prof. Dr. José Dilson Silva de Oliveira. O debate girou em volta da questão: “O que é ser discente e tutor do Programa de Educação Tutorial?”.
Na manhã seguinte (13), houve um espaço deliberativo nos grupos de discussão e trabalho (GDTs),  oportunidade que os petianos têm de opinar e gerar sugestões ou encaminhamentos sobre os temas discutidos, que são levados para a Assembleia Geral. Os integrantes do PET Engenharia Civil UFPR participaram de dois GDTs: um a respeito do processo de seleção e avaliação interna de petianos e tutores e outro sobre a parceria público-privada na realização de projetos petianos.

GDT 2: O processo de seleção e avaliação interna de petianos e tutores



De tarde (13), aconteceram 3 atividades muito importantes nos eventos PET. Primeiramente, a apresentação de trabalhos, que desta vez foi realizada apenas em modo de banners. Nosso grupo apresentou um trabalho a respeito da estrutura do nosso planejamento anual, com o objetivo de incentivar outros grupos PET a desenvolverem seus planejamentos de modo semelhante. O trabalho foi apresentado por Gabriel Proença Ferreira e Lorena Sánchez Clavijo, atuais petianos bolsistas do PET Engenharia Civil UFPR.
Apresentação de trabalhos em banner

Logo depois, houve o Encontro por Áreas, que foi dividido nas áreas de conhecimento: Ciências exatas, Ciências humanas, Saúde e Engenharias. Nossos petianos coordenaram o encontro da nossa área, que contou com alunos da Engenharia Têxtil, Química, Elétrica, Civil, etc. Nele foram abordados três assuntos: a evasão, a disparidade de homens e mulheres e a conciliação entre graduação e o PET nos cursos de Engenharia. Foi uma experiência muito gratificante para nós e deixamos nosso agradecimento à Comissão Organizadora da XII JOPARPET pela oportunidade.




Encontro por Áreas: Engenharias



Para finalizar as atividades do sábado, nossos petianos participaram do Encontro de Discentes, que aconteceu paralelamente ao Encontro de Tutores. Nele conseguimos trocar experiências e também foi decidido a criação de um grupo e página no Facebook para os PETs do Paraná, ficando a cargo da Diretoria da CEPET realizar.

Foto oficial da XII JOPARPET
No último dia de evento (14), aconteceu a Assembleia Geral, a qual finalizou as atividades da XII JOPARPET.  Nela foram discutidos os encaminhamentos e sugestões gerados pelos Grupos de Discussão e Trabalho e também foi decidido a próxima sede do evento que, por enquanto, está sob a responsabilidade da UFPR.

O grupo PET Engenharia Civil agradece aos grupos PET da Unioeste de Cascavel, Toledo e Cândido Rondon pela organização do evento, que nos proporcionou vários momentos de trocas de experiência e valorização do Programa. E que venha a XIII JOPARPET!


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Museu Oscar Niemeyer e a Engenharia por trás de sua arte


Curitiba é uma cidade icônica e repleta de símbolos. Dentre tantas paisagens e construções algumas acabam se destacando, seja pela singularidade, como a Ópera de Arame, seja pela delicadeza, como o Jardim Botânico, seja pela grandiosidade, como o Prédio Histórico da UFPR, ou seja por tudo isso junto, como é o caso do Museu Oscar Niemeyer (MON). A obra, idealizada pelo arquiteto brasileiro homônimo, possui as características que eram a assinatura do artista, como suas curvas, sua leveza e suas formas complexas e pouco usuais. Contudo, observar esses elementos funcionando em conjunto e de forma tão perfeita nos faz pensar em como tudo aquilo foi projetado e construído. Pois bem, a Engenharia Civil tem a resposta para tudo isso.

Museu Oscar Niemeyer. Fonte: Gazeta do Povo.
História

            Tudo começou em 1967, quando Oscar Niemeyer projetou o que seria a sede do Instituto de Educação do Paraná. O edifício Presidente Humberto Castelo Branco (como foi batizado), no entanto, foi entregue somente 11 anos mais tarde, servindo como sede das secretarias do estado do Paraná. A construção era extremamente arrojada e ousada, além dos balanços com 20 metros de comprimento, o edifício conta com um vão livre de 65 metros, que lhe rendeu, inclusive, o recorde de maior vão livre em concreto protendido na época. Além disso, todas as vigas são apoiadas em roletes metálicos, que possibilitam que o deslocamento térmico da estrutura ocorra livremente.

Operários montando as bainhas e placas de ancoragem, projetadas para suportar aproximadamente 400tf de força de protensão cada. Fonte: Shido Ogura.

Rolete móvel (apoio do primeiro gênero) utilizado na construção do edifício. Fonte: Shido Ogura.

            Contudo, em 2002, durante o governo de Jaime Lerner, o edifício recebeu uma nova destinação, tornando-se um museu. Para tanto, o espaço precisou passar por algumas readequações e, além disso, recebeu a criação de um novo anexo: o ilustre “Olho”, também idealizado por Oscar Niemeyer.

Obras

            Construir um projeto arquitetado por Oscar Niemeyer por si só já é um grande desafio, contudo, o prazo de entrega extremamente curto elevou a dificuldade de execução da obra a outros níveis. A construção do “Novo Museu”, como foi nomeado na época, teve seu prazo total fixado em exatos 185 dias e, para suprir essa altíssima demanda, foram empregados mais de 600 operários, que se revezavam em três turnos.
Durante as obras, optou-se pela moldagem “in loco” das estruturas, sendo as lajes do teto do Olho as únicas peças pré-moldadas. O projeto também estabeleceu que o concreto utilizado na construção deveria possuir uma faixa de resistência entre 25 e 40 MPa, bem como possuir uma relação água/cimento máxima de 0,5. 

Construção do anexo “Olho”. Fonte: Nani Gois.

A construção do novo anexo demandou, ao todo, 5226 m³ de concreto, contudo tamanha quantidade de material poderia causar problemas como temperaturas altíssimas durante o processo de hidratação, assim como problemas de retração. Por conta disso, optou-se pelo emprego do cimento CP IV-32 (Cimento Portland pozolânico), que, pela presença de pozolana em sua composição, possui hidratação lenta e baixa liberação de calor.

Construção da rampa de acesso ao MON. Fonte: Gazeta do Povo.

            Para conseguir transpor do papel à realidade a concepção do olho, a solução encontrada pelos engenheiros foi a criação de uma estrutura com balanço duplo, coberta por uma cúpula. Os balanços possuem, mais especificamente, 30 metros de comprimento e são apoiados em um núcleo central de 10 metros. A cobertura da estrutura é formada por uma casca curva, com 10 cm de espessura, engastada nas extremidades do vão. A parte inferior, no entanto, é formada por uma casca invertida apoiada nas próprias vigas em balanço. O prédio do Olho possui ao todo 30 metros de altura e 70 de comprimento, tendo uma área total de 4.125,37 m².

Exemplo esquemático da estrutura do Olho. Fonte: Wikipédia

Reconhecimento

No dia 22 de Novembro de 2002, após 6 meses intensos de trabalho e US$ 14 milhões investidos, o Museu Novo foi inaugurado. A denominação de Museu Oscar Niemeyer só veio alguns meses depois, com a reformulação da nova diretoria. Desde então o museu recebeu mais de 300 exposições nacionais e internacionais, já foi visitado por mais de 3 milhões de visitantes e possui um acervo com mais de 9 mil publicações e periódicos para pesquisa. Em 2012, foi eleito um dos 20 museus mais bonitos do mundo, segundo o guia norte-americano Flavorwire. Já em 2017, foi reconhecido pelo Travellers’ Choice, do site de turismo Trip Advisor, como o terceiro melhor museu do Brasil e quinto melhor da América do Sul.

Vista noturna do MON. Fonte: The Best In Design.

            Diante disso tudo fica nítida a importância do Museu Oscar Niemeyer para a engenharia, arquitetura e para sociedade como um todo. Sua construção é um exemplo a ser seguido, seja por conta de sua eficiência, agilidade ou qualidade. A obra reflete o casamento perfeito entre a genialidade e a arte de Niemeyer e a técnica e tecnologia da engenharia. O MON, acima disso, é um espaço de cultura e conhecimento, um verdadeiro tesouro que temos o prazer de ter a nossa disposição.

Fontes:

MOSER, Sandro. PEDREIRA, BARIGUI, MON… COMO ERAM OS PRINCIPAIS PONTOS DE CURITIBA “ANTES DA FAMA”. Disponível em: https://guia.gazetadopovo.com.br/materias/antes-e-depois-dos-pontos-turisticos/. Acesso em: 04/10/2018.

HAUS, GAZETA DO POVO. MON ESTÁ DE ANIVERSÁRIO! CONHEÇA DETALHES E CURIOSIDADES DO PROJETO HISTÓRICO. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/haus/arquitetura/8-curiosidades-para-celebrar-15-anos-do-mon/. Acesso em: 04/10/2018.

SANTOS, Altair. MUSEU OSCAR NIEMEYER DESAFIOU A ENGENHARIA PARANAENSE. Disponível em: http://www.cimentoitambe.com.br/obra-foi-eleita-uma-das-20-mais-bonitas-do-mundo-e-contou-com-a-participacao-da-construtora-cesbe-e-do-concreto-da-concrebras/. Acesso em: 04/10/2018.

CESBE S.A.. EDIFICAÇÕES: MUSEU OSCAR NIEMEYER. Disponível em: http://www.cesbe.com.br/obras/museu-oscar-niemeyer/. Acesso em: 04/10/2018.

AVANTEC ENGENHARIA. CASE: MUSEU OSCAR NIEMEYER. Disponível em: http://avantecengenharia.com.br/case-museu-oscar-niemeyer/. Acesso em: 04/10/2018.













sábado, 15 de setembro de 2018

A Engenharia Civil nas Smart Cities

Cada vez mais as Smart Cities surgem no atual cenário mundial como uma tendência a ser seguida. Definida de diversas maneiras, podemos pensá-la como uma cidade que faz uso da tecnologia para a criação de uma melhor infraestrutura urbana, visando a conexão de setores e a criação de novos ambientes inovadores e sem burocracia, além disso, apresenta um sistema de dados inteligentes, gera sua própria energia e é uma cidade sustentável.

A adaptação de cidades para os planos de uma Smart City envolve a participação de diversas áreas do conhecimento. Desde a criação de tecnologias digitais para maior ligação entre diferentes ramos da comunidade, como também a adaptação do meio físico urbano para receber essas tecnologias. Ou seja, um dos papéis da Engenharia Civil nessa transformação é, além da busca por inovações, criar condições para que a população tenha acesso aos progressos gerados por esse novo conceito de cidade.


Algumas áreas que a Engenharia Civil está presente nas Smart Cities:

Transporte

Citado frequentemente quando se fala de Smart Cities, o transporte inteligente é um dos pilares desse conceito. O planejamento e uso de transportes eficientes e não poluentes como bicicletas, carros elétricos e transporte públicos são recorrentemente discutidos dentro dessa área. Cabe aos engenheiros e arquitetos viabilizar mudanças e adequações para facilitar a mobilidade nas cidades, por meio de projetos que visem a implementação de ciclovias, um sistema de transporte público conectado e inteligente, ajustes de vias para a circulação de carros elétricos e autônomos, entre outros.



Figura 1 - Modelo de Transportes para uma Smart City.  Fonte: ARUP

Construção

Com um ideal de mesclar tecnologia, arte e natureza, a diversidade de estilos de construções é imenso. Obras que apresentam ideias futuristas, incorporando sistemas altamente tecnológicos de informação e comunicação, visando a qualidade de vida e, claro, sem deixar a natureza de lado, são os destaques das cidades inteligentes. Vê-se então uma grande gama de oportunidades para a Engenharia Civil: tanto para a inovação na criação de projetos, quanto na realização dos mesmos.



Figura 2 - Cidade-Estado de Singapura.  Fonte: EXAME



Geração de Energia


A geração da própria energia é outro aspecto das cidades inteligentes. Para Andrew Anagnost, atual presidente da Autodesk - empresa a qual pertence o AutoCAD, software muito conhecido na Engenharia Civil -, uma cidade inteligente é aquela que produz sua própria energia, administra de forma eficaz e sabe como utilizá-la. Diante disso, os profissionais da Engenharia Civil, conjuntamente com especialistas de outros setores, terão que pensar em como esse desafio poderá ser encarado, seja por meio da construção de edifícios e estradas projetados com a capacidade de transformar a luz solar em energia elétrica ou, até mesmo, da criação de novas tecnologias para este fim.




   
Figura 3 - Casas equipadas com painéis solares na Fujisawa Sustainable Smart Town,
cidade inteligente localizada no Japão.
Fonte: PANASONIC



Os avanços tecnológicos cada vez mais presentes em nosso dia a dia estão propiciando o surgimento das primeiras Smart Cities ao redor do Mundo, como a Fujisawa Sustainable Smart Town, um projeto da Panasonic que foi colocado em prática no Japão (conheça um pouco mais em: Fujisawa), fazendo com que as Smart Cities sejam não apenas o futuro das cidades e da Engenharia Civil, mas também o presente. 





Referências:

O impacto das Smart Cities na arquitetura das grandes metrópolesAcesso em: 14 de setembro de 2018.

Smart City: O Futuro das Cidades. Acesso em 14 de setembro de 2018.

Revista Galileu. Acesso em: 14 de setembro de 2018.

Nossa Cidade: A mobilidade nas cidades inteligentesAcesso em: 14 de setembro de 2018.

Veja como Smart Cities valorizam as profissões e gera negócios para construção civil. Acesso em: 14 de setembro de 2018.