sexta-feira, 19 de abril de 2019

A História da Catedral de Notre-Dame

Por Ana Borges

Atualmente, a Catedral de Notre-Dame é um dos principais pontos turísticos da França e é um local que foi palco de uma série de acontecimentos importantes da história francesa e mundial. Tragicamente, foi atingida por um incêndio em 2019, que danificou bastante a sua estrutura.

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Legenda: Vista frontal da Catedral de Notre-Dame
Fonte: Vix.com

Origem

Com o objetivo de construir uma catedral maior para a cidade de Paris, o bispo Maurice de Sully decidiu, em 1163, iniciar uma obra no novo estilo arquitetônico da época, o gótico, que daria origem para a Catedral de Notre-Dame. O local escolhido foi onde já havia uma antiga catedral, na Ile de La Cité, uma pequena ilha localizada no meio do rio Sena. O novo santuário foi batizado com o nome de Notre-Dame em homenagem à Virgem Maria, mãe de Jesus.
A estrutura básica da catedral foi construída em 182 anos, e no século XIII já podia ser frequentada. No século XIV algumas adequações foram feitas, como o alargamento dos braços dos transeptos e a instalação de contrafortes no coro. Infelizmente, o nome dos arquitetos que iniciaram a construção foram perdidos.
Ao longo da história, os propósitos da Catedral foram modificados. Durante a Revolução Francesa, as missas da Igreja Católica foram deixadas de lado para dar lugar a um tempo que abrigava o Culto à Razão, e posteriormente, o Culto do Ser Supremo. Ambos surgiram no período revolucionário, sendo o primeiro deles uma exaltação do homem e do seu conhecimento. O segundo foi uma nova religião estabelecida por ordem de Robespierre, líder dos jacobinos. Depois que os jacobinos foram derrubados e Robespierre guilhotinado, o culto ao Ser Supremo foi abandonado. Nesses períodos, Notre-Dame servia como depósito para suprimentos.
A partir de 1801, quando Napoleão Bonaparte governava a França, a catedral voltou a ser utilizada como uma igreja católica, e sua primeira missa depois da revolução ocorreu em 18 de abril de 1802. Inclusive, Notre-Dame foi escolhida por Napoleão para o local de sua coroação como imperador da França em 1804.

Legenda: Pintura 'Coroação de Napoleão', do artista francês Jacques-Louis David, de 1807, retratando a cerimônia na catedral de Notre-Dame.

No século XIX, a catedral se encontrava em péssimo estado de conservação e sua derrubada estava sendo debatida. Foram feitos planos pelas autoridades para que as pedras de Notre-Dame fossem utilizadas para a construção de novas pontes. A catedral só não foi derrubada porque em 1831, o famoso escritor Victor Hugo escreveu “Notre-Dame de Paris”.
O romance tinha Notre-Dame como cenário principal, e além de denunciar o estado que a catedral se encontrava para o mundo inteiro, tinha também uma crítica à indiferença da elite, utilizando personagens margilizados (como ciganos e deficientes). A obra apresenta o personagem Quasímodo, que se apaixona pela cigana Esmeralda.
Ao contrário dos ideais burgueses, Notre-Dame servia também de abrigo para os excluídos da sociedade. O sucesso do livro foi tão grande que o rei Luís Filipe I ordenou a restauração da catedral em 1844. Em 1966, a Disney fez uma adaptação animada no livro de Victor Hugo.

Legenda: Animação “O Corcunda de Notre-Dame”.
Fonte: UOL.

Curiosidades

É claro que quando uma Catedral tem mais de 850 anos, ela possui uma história repleta de curiosidades, e algumas delas iremos contar aqui:
·       Como já foi comentado, existiu outra catedral no local onde fica Notre-Dame, mas além disso, os historiadores encontraram evidências de que no mesmo lugar existiu um templo romano em homenagem a Júpiter. Escavações também revelaram que no local havia uma cidade romana chama Lutécia;
·   Parte das escavações deram origem a um museu, a Cripta Arqueológica, que podia ser visitada nos subterrâneos da Notre-Dame, indicando como era a vida no Império Romano; 
·     Marco Zero está localizado na frente da fachada da parte ociental da construção, na praça Parvis. Ele é feito em uma placa de bronze, que simboliza o marco inicial com que se calcula as distâncias das estradas do país;
·    A edificação possui 200 vitrais, e alguns deles são considerados os maiores já construídos no mundo;

Legenda: Vitrais da Catedral.
Fonte: Vix.com

·        A catedral recebe aproximadamente 13 milhões de visitantes por ano, o dobro do número de turistas que vem para o Brasil anualmente; 
·      Mesmo antes de terminada, a obra em construção já atraía cavaleiros medievais que, durante as Cruzadas, iam ao local rezar e pedir proteção antes de partir para o Oriente.

Incêndio, perdas e reconstrução

A falta de cuidados com Notre-Dame levou a sérios debates a respeito de sua reforma. Nem o governo francês nem a Igreja Católica francesa queriam assumir os custos de reformar a catedral. Assim, em 2018 houve um pedido de doações para que a reforma fosse realizada.

Legenda: Resultado do incêndio na Catedral.
Fonte: Jornal O Globo

No dia 15 de abril de 2019, um incêndio proveniente das reformas tomou a catedral. Os danos foram consideráveis, mas felizmente menores que o esperado. O fogo começou pouco depois do término do horário de visitação.
No momento, doações do mundo inteiro estão sendo feitas para a reconstrução da Catedral. Segundo a imprensa francesa, elas já somam mais de 900 milhões de dólares. O presidente da França, Emmanuel Macron, se comprometeu a reconstruir a catedral em cinco anos, quando Paris sediará os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão.

Legenda: Consequências do incêndio.
Fonte: BBC News

Referências

CATEDRAL DE NOTRE DAME. Disponível em: https://www.tudosobreparis.com/catedral-notre-dame/ Acesso em: 18/04/2019.
CATEDRAL DE NOTRE-DAME DE PARIS. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Notre-Dame_de_Paris Acesso em: 18/04/2019.
CATEDRAL DE NOTRE DAME. Disponível em: https://www.infoescola.com/franca/catedral-de-notre-dame/ Acesso em: 18/04/2019.
DOAÇÕES PARA RECONSTRUÇÃO DE NOTRE-DAME SOMAM US$ 900 MILHÕES. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2019-04/doacoes-para-reconstrucao-de-notre-dame-somam-us-900-milhoes Acesso em: 18/04/2019.
HISTÓRIA DA CATEDRAL DE NOTRE DAME. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia/historia-catedral-notre-dame.htm Acesso em: 18/04/2019.
INCÊNDIO EM NOTRE-DAME: OS PRINCIPAIS FATOS HISTÓRICOS SOBRE CATEDRAL TOMADA PELO FOGO EM PARIS. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-47941953 Acesso em: 18/04/2019.
INFOGRÁFICO: A CATEDRAL DE NOTRE-DAME, EM PARIS. Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/infografico-a-catedral-de-notre-dame-em-paris/ Acesso em: 18/04/2019.
sexta-feira, 12 de abril de 2019

Kit Estrutural Mola II e sua arrecadação em 2018


Por Gabriel Henrique Simões Yagnycz

Kit Estrutural Mola I e a arrecadação em 2014

O Kit Estrutural Mola é uma ferramenta didática-tátil-visual criada pelo arquiteto Márcio Sequeira de Oliveira durante seu mestrado. Ele é muito útil quando o assunto é estudo de comportamento estrutural, pois com ele é possível visualizar como a aplicação de cargas modificam a estrutura, causando flambagens, torções e até mesmo o rompimento da estrutura. Tudo isso acontece tridimensionalmente e nas mãos do estudante, ajudando quem tem dificuldade de visualizar tais deformações na explicação tradicionais, com imagens bidimensionais  no quadro ou na projeção.

Legenda: Demonstração de uma deformação com o Kit Estrutural Mola
Fonte: Autor

Após desenvolver e amadurecer a ideia, o Márcio percebeu que não conseguiria produzir o kit por questões financeiras. Então, em 2014 ele publicou seu protótipo em um site de financiamento coletivo, o Catarse, com o objetivo de divulgar sua invenção e conseguir interessados em ajudá-lo a tornar realidade um sonho. Em questão de semanas a meta foi alcançada e após alguns meses já tinha o triplo do valor inicial desejado.
Nessa mesma época, o PET Engenharia Civil UFPR ficou sabendo da existência da ferramenta e concluiu que seria de grande ajuda para o ensino de estruturas dentro da universidade. Então, lançaram uma campanha de financiamento internamente com o objetivo de comprar 10 kits, no valor de R$ 3.500,00, e com a ajuda de alunos e professores alcançaram a marca em apenas 2 semanas. Tal compra garantiu que o próprio criador viesse entregar os kits em mãos e ministrasse um curso para os docentes e petianos interessados na ferramenta.

Legenda: Recebimento dos Kits em 2015
Fonte: PET Engenharia Civil UFPR

Mola II e os desafios de 2018

Em 2016 é anunciado e lançado pelo mesmo método de financiamento coletivo o Kit Estrutural Mola II e seus complementos, que tinha um viés de abordar outras áreas que o primeiro não era suficiente, como grelhas e deformações em pilares contínuos. Além disso, foram lançados dois complementos: Ligações Super Leves, permitindo estruturas mais altas, e Barras de Comprimento Extensível, personalizando completamente o kit e aumentando suas possibilidades. Porém, o grupo da época achou muito cedo para tentar obter a nova ferramenta para a universidade, pois as atividades com o Mola I estavam recém ingressando nas disciplinas de estruturas.
Durante o planejamento do ano de 2018 os petianos chegaram a conclusão que o novo kit era necessário na universidade, considerando que as atividades com o primeiro que já estavam consolidadas durante seus 2 anos de aplicação nas matérias mais básicas, como Mecânica Geral, Introdução à Engenharia, Resistência dos Materiais e em outros cursos, como Arquitetura e Urbanismo.

Legenda: Aplicação do Kit Estrutural Mola I em Introdução à Engenharia
Fonte: PET Engenharia Civil UFPR

O plano inicial era o mesmo de 2014, obter 10 Kit Estrutural Mola II e 10 complementos de cada, através da ajuda de alunos e professores. Porém, o total era mais que o dobro da arrecadação anterior: R$ 7.570,00. Muito animados e determinados em conseguir os kits para a universidade o grupo se instalou em turnos específicos nos corredores do bloco PF no Centro Politécnico, visando conseguir doações dos que passavam. Infelizmente, em 1 mês alcançamos apenas 16,64% da nossa meta, o que nos levou a buscar contato com outras formas de conseguir auxílio.
O primeiro contato com uma entidade ocorreu através da Professora Isabella Chaves, docente do Departamento de Construção Civil e coordenadora do Laboratório de Estruturas. Ela sugeriu a utilização de um fundo que a Pró-reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (PROPLAN) dispõe para investir em projetos de ensino, pesquisa e extensão na UFPR. O Fundo de Desenvolvimento Acadêmico, no nosso caso, poderia nos ajudar com até R$ 30.000,00 para compra do que achássemos necessários. Através do preenchimento do formulário de Fluxo Contínuo Tipo A demos início ao processo.
Entretanto, havia mais alguns documentos que precisaríamos entregar. Normalmente é solicitado três orçamentos para comparação de preço, mas o Mola é algo exclusivo da marca e não possui concorrentes no mercado. Por isso, foi necessário entregar o orçamento padrão, carta de exclusividade do produto, carta que explicasse o método de entrega, entre outros. No fim, havíamos solicitado todo o valor da campanha, mas fomos contemplados com uma quantia que possibilitou a compra de 7 Kits Estrutural Mola II e 6 complementos de cada, totalizando R$ 5.021,00.
Nosso segundo contato foi com o professor Mauro Lacerda do Escritório Modelo de Engenharia (EMEA). O professor de disponibilizou para solicitar através da Fundação da Universidade Federal do Paraná (FUNPAR) 5 Kits Estrutural Mola II e 5 complementos de cada. Felizmente, nossa solicitação foi atendida!
 
Recebimentos e aplicações

Mesmo conseguindo fazer a compra com a ajuda dos professores citados anteriormente, há muita burocracia envolvida. Os comprados pelo FDA devem possuir patrimônio da universidade, então ainda não conseguimos retirá-los. Felizmente os que foram adquiridos pela FUNPAR já foram retirados e aplicados em sala de aula. Além de estarmos desenvolvendo atividades para diversas matérias, como Resistência dos Materiais II, Estruturas Metálicas, Mecânicas das Estruturas I e II, entre outras.

Legenda: Recebimento dos kits do EMEA
Fonte: Escritório Modelo de Engenharia

Legenda: Aplicação do Kit Estrutural Mola II em Estruturas Metálicas
Fonte: Autor

Por fim, conseguimos arrecadar 12 Kits Estrutural Mola II e 11 complementos de cada, mas cada entidade permaneceu com 1 Kit e 1 complemento de cada para uso interno. Portanto, conseguimos 10 kits e 9 extensões para serem aplicadas em sala de aula. Com relação ao dinheiro arrecadado com a ajuda dos alunos e professores, ainda estamos estudando o qual finalidade será dada a ele, mas somente utilizaremos para gastos relacionados ao Kit Estrutural Mola e o restante será devolvido à comunidade.

quinta-feira, 28 de março de 2019

O uso de Energia Renovável

Por Nathany Cilli

Energia renovável, energia alternativa ou energia limpa são três nomes usados para qualquer tipo de energia que use fontes renováveis e que não geram grandes impactos negativos ambientais, ou seja, toda energia proveniente de uma fonte que se renova naturalmente de forma cíclica, que estão sempre disponíveis para a utilização e não se esgotam, produzindo menos CO2 para a atmosfera.
Com a evidência do desequilíbrio entre o desenvolvimento econômico e o meio ambiente, muito tem se falado em utilização de energia renovável, fazendo com que essa discussão chegue ao ponto máximo de que todos os países do globo, usufruem dessa energia. Além de contribuir para a poluição, algumas fontes de energia utilizadas atualmente são de difícil acesso, geram degradação ambiental e também tem muitos riscos em seu processo de transformação.
O Brasil possui uma matriz energética predominantemente renovável. O restante do planeta possui essa matriz com base em combustíveis fósseis sendo energias renováveis, incluindo a energia hidráulica.

Figura 1- Matriz energética brasileira e do mundo
Fonte: MME/BEN(2006)


Tipos de Fontes de Energia Renováveis e sua Utilização

Energia Solar

É o recurso natural mais abundante e com maior disponibilidade em todo o planeta, a luz do sol. Os raios solares podem ser usado de forma direta, para aquecimento de água, ou de forma indireta, produzindo energia elétrica por meio do uso das células fotovoltaicas(transformação da radiação solar em energia elétrica por meio de placas que ficam expostas sob a luz do sol)

Figura 2- Placas fotovoltaicas

Energia Eólica

Por meio de turbinas, a força dos ventos é convertida em energia mecânica e, posteriormente, em energia elétrica. Hoje em dia, novas tecnologias têm sido estudadas, tornando as turbinas mais eficientes. A emissão de CO2 dessa fonte de energia alternativa é mais baixa que a da energia solar e é uma opção para o país não depender somente das hidrelétricas.

Figura 3- Parque Eólico
      Fonte: https://www.portal-energia.com/vantagens-desvantagens-da-energia-eolica/

Biomassa

É a geração através da queima de materiais orgânicos, derivada de plantas ou de animais, como o bagaço da cana-de-açúcar, álcool, madeira, palha de arroz, óleos vegetais, entre outros. Embora a queima desses materiais libere gases poluentes na atmosfera, ela é considerada uma forma limpa de geração devido ao fato que essa quantidade de CO2 é absorvida no cultivo desses materiais, zerando os impactos ambientais. A biomassa pode ser uma das grandes fontes de energias renováveis se for cultivada de maneira sustentável, ou pode ser uma grande destruidora se manejada de forma incorreta.

Figura 4- Biomassa
Fonte: https://tnpetroleo.com.br/noticia/novas-energias-biomassa-deve-ser-mais-valorizada-com-reforma-do-setor/

O Brasil é uma referência na comunidade internacional em utilização de fontes de energia renováveis.

O Brasil se tornou um grande exemplo de utilização de energias renováveis no mundo inteiro e essa conquista se deve a soma de diversos fatores. O Brasil consegue combinar políticas públicas de incentivo e estímulo a pesquisas de novas tecnologias de fontes renováveis e ao mesmo tempo dispõe de um imenso território com riquezas naturais com grande potencial.
Em 2016, 43,5% de nossa matriz energética era composta de fontes de energia renováveis, enquanto a média mundial era de 14,2%.

Figura 5-Energias Renováveis: Resenha Energética Brasileira 2016
Fonte: MME

Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), o Brasil é o terceiro maior gerador de energias renováveis, que são aquelas que não liberam resíduos ou gases poluentes na atmosfera, assim como o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica em relação ao mundo. As hidrelétricas usufrui do maior porcentual de energia produzido pelo país. Essas usinas geram eletricidade pelo movimento da água de rios, seja por desníveis naturais ou por outros criados artificialmente.
A segunda principal fonte mais usada no país não é limpa, são as usinas termelétricas, que podem ser movidas por gás natural, bagaço de cana e combustíveis fósseis. Mas a tendência é que, nos próximos anos, ela seja ultrapassada pela eólica.

 O uso da energia renovável na construção civil

Apesar da construção civil ter uma grande importância para que o país se desenvolva, sendo uma das principais fontes de crescimento da economia, ela também é considerada um dos setores que mais impactam negativamente o meio ambiente, principalmente por causa dos recursos naturais, sendo responsável por 8% do total de emissões de gases do efeito estufa.
Contudo, o ramo de energias renováveis vem sendo avaliado com bons olhos podendo ser um grande aliado para diminuir os impactos causados pela construção civil. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética(EPE), o uso de renováveis passou de 39,4% para 41,2% em 2015. A energia eólica, obteve uma variação de 2% para 3,5 e a energia solar de 0,01% também em 2015..
Pode-se citar como destaque, os painéis fotovoltaicos provenientes da energia solar, que estão cada vez mais aumentando seu uso nas edificações, justamente por causa da redução de custos e da sustentabilidade. Um dos principais motivos da utilização de energia solar é o fato dela ser renovável, e pela localização em que o Brasil se encontra, onde a alta incidência dos raios solares, que são abundantes e sem custo, proporcionam um forte potencial para a geração de energia.
Com isso, é inegável que a energia solar torna o empreendimento mais sustentável, assim como qualquer outro tipo de energia renovável. Tudo isso pode ser implementado e integrado na construção civil, evitando grandes danos agressivos à natureza.

Referências

O mercado da Construção Civil. Disponível em: http://blog.alsolenergia.com.br/2017/12/construcao-civil-energias-renovaveis/. Acesso: 23/03/2019
Fontes de Energia Renováveis. Disponível em: https://blog.bluesol.com.br/fontes-de-energia-renovaveis/. Acesso: 23/03/2019
O que é Energia Renovável. Disponível em: https://www.ecycle.com.br/5031-energia-renovavel. Acesso: 23/03/2019
Energia renovável na Construção Civil. Disponível em: http://eletrotartari.com.br/dicas/energia-renovavel-na-construcao-civil-entenda-sua-importancia. Acesso: 23/03/2019






sexta-feira, 8 de março de 2019

Barragens de rejeitos e seus métodos de construção

Por Náthali Giacomini

      Devido às tragédias recentes que aconteceram no Brasil, muito tem se falado sobre as barragens de rejeitos. Nesta matéria, explicaremos um pouco mais sobre o que são elas e quais são os principais tipos.

O que são as barragens de rejeitos?

    São estruturas de grande porte que tem como função a retenção de resíduos sólidos e água provenientes de processos de extração de minérios. O armazenamento desses rejeitos é necessário para evitar danos ambientais.

       Os rejeitos, por sua vez, podem ser de dois tipos: o fino, também chamado de argila, que possui baixa permeabilidade e alta compressibilidade e o granular, que é composto por areias finas e médias, possui alta permeabilidade, baixa compressibilidade e pode ser utilizados inclusive para a construção da própria barragem. 

       Uma vez dispostos nas barragens, os rejeitos passam por duas fases. A primeira delas é a fase de construção, na qual ocorre sedimentação e compressão imediata, além de adensamento e filtração. Passado esse processo de acomodação inicial dos rejeitos, vem a segunda fase, na qual ocorre, então, a dessecação e dessaturação. É nesta etapa que a barragem tem a sua vida útil.

      Já o armazenamento funciona da seguinte maneira: inicialmente é construído um dique de partida, que funciona como uma barragem de contenção comum. Porém, em determinado momento, torna-se necessário ampliar a capacidade da barragem, e isto é feito através de um procedimento conhecido como alteamento, no qual são construídos diques adicionais de modo que a barragem se torne mais alta e, assim, possa armazenar mais rejeitos. Existem três métodos principais de alteamento:


Método de alteamento a montante

       É o método com custo mais baixo. Consiste no depósito dos rejeitos hidraulicamente até a crista (parte superior) do dique de partida, formando assim uma “praia de rejeitos” que, com o tempo, se adensa e serve de fundação para os próximos diques de alteamento, que são construídos com o próprio material do rejeito. Esse processo se repete até que seja atingida a altura máxima de alteamento prevista. Apesar de ser um procedimento mais simples e mais barato, é também o menos seguro e, por conta disso, já foi proibido em países como o Chile e Peru. No Brasil, após o rompimento da barragem de Brumadinho e, anteriormente, de Mariana, foi publicada uma resolução por parte do governo que determina que as barragens a montante e método desconhecido - que totalizam 88 - devem ser eliminadas até 2021 no caso das desativadas e até 2023 no caso das em funcionamento. 




Fonte: Época Negócios



Método de alteamento a jusante 

     Da mesma forma que o método de alteamento a montante, os rejeitos são depositados hidraulicamente até a crista do dique de partida. Conforme é alcançado a borda livre desse dique, são feitos alteamentos sucessivos para jusante (parte “posterior” à barragem). A vantagem desse método é que a altura não precisa ser restringida em prol da estabilidade, sendo a área do terreno disponível o único limitante da altura final da barragem. Por outro lado, a construção desse método mais conservador possui maior custo, tanto por causa do volume de aterro necessário quanto por causa da grande área que ocupa. O Brasil possui 151 barragens de alteamento a jusante. 


Fonte: Época Negócios

Método de alteamento da linha de centro


      É um intermédio entre os dois métodos apresentados anteriormente. Da mesma forma que o método a montante, os rejeitos são lançados a partir da crista do dique inicial e, assim como o primeiro, os alteamentos são construídos com diques sucessivos. A principal diferença entre eles então, é que no método da linha de centro é mantido o eixo de simetria da barragem constante, o que garante maior estabilidade que o método a montante sem necessitar de tanto material e espaço quanto o método a jusante. É considerado o método mais seguro para a construção de barragens. O Brasil possui apenas 37 barragens construídas por esse método.

Fonte: Época Negócios


      A importância dessas barragens não pode ser negada. Até que seja encontrada uma forma eficiente de reaproveitar os rejeitos, é de comum acordo que eles devem ser armazenados e não lançados ao meio ambiente. Entretanto, como foi mostrado, há formas mais seguras de construí-las do que o método a montante que, felizmente, a partir de agora não poderá mais ser utilizado no nosso país.

Referências:

JULIO, RENNAN A. “Modelo de barragem usado em Brumadinho e Mariana é o mais barato e menos seguro”. Disponível em . Acesso em 07 de março de 2019.

ERDELYI, MARIA FERNANDA; CAVALLINI, MARTA. “Governo determina eliminação de barragens como a de Brumadinho até 2021”. Disponível em . Acesso em 07 de março de 2019.

TREVIZAN, ALVARENGA; TREVIZAN, KARINA. “Brasil tem 88 barragens do tipo 'a montante ou desconhecido', metade com alto potencial de dano, diz agência”. Disponível em:. Acesso em 07 de março de 2019.

INSTITUTO TECNOLÓGICO VALE. “Tecnologia de Barragens e Disposição de Rejeitos”. Disponível em . Acesso em 08 de março de 2019.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O BIM e seu diferencial no planejamento de obras


Por Felipe Pizatto

O que é BIM?

Hoje em dia se fala muito a respeito do BIM, da sua importância e do seu impacto na construção civil. Mas apesar de se falar muito sobre, muita gente ainda tem uma ideia equivocada do que é o BIM, alguns pensam que é simplesmente uma modelagem tridimensional do projeto, outros pensam que é um software em específico, na verdade, o BIM utiliza um modelo em 3 dimensões, mas ele vai além disso.  
O BIM (Building Information Modeling, ou Modelagem da Informação da Construção, em português) pode ser definido como um modelo digital da edificação que contém todas as características da mesma durante sua vida útil. Com isso o BIM permite aos engenheiros, arquitetos e construtores ter acesso à uma prévia das manutenções que serão necessárias durante o ciclo de vida útil da edificação e também possíveis interferências entre os projetos que a compõe.


Figura 1


Benefícios de se utilizar o BIM

A utilização do BIM traz uma série de benefícios para a execução do projeto, como por exemplo uma melhoria de comunicação entre os diferentes projetos que compõe uma edificação, isso já sana um dos principais problemas que existem na construção civil, que é a falha de comunicação entre as partes envolvidas na elaboração do projeto. Já que o BIM integra todos os projetos em um único modelo, possíveis interferências são identificadas antes de se iniciar a construção, permitindo a solução dos problemas ainda na fase de elaboração do projeto.
Além disso o BIM traz todas etapas da construção de forma detalhada, como uma simulação virtual da construção, o que permite um aumento da precisão de execução do projeto e também uma garantia de cumprimento do cronograma, já que cada etapa pode ser analisada e planejada com antecedência, evitando atrasos e desperdícios.
Também é possível elaborar um planejamento completo do canteiro de obras em todas as suas etapas, levando em conta as transformações que ocorrerão no canteiro com o andamento da obra, permitindo a otimização da logística do canteiro e aumentando a eficiência na execução do projeto.


Modelo tridimensional de uma edificação.
Fonte: Mundo GEO

Importância no BIM para os envolvidos

Apesar do BIM ser utilizado pelos profissionais responsáveis pelo projeto e pela obra, sua importância se estende a todos os envolvidos no empreendimento.
Para o investidor, o BIM é uma garantia de precisão nos prazos e custos do empreendimento, não só durante a execução, mas também após a conclusão da obra, pois traz informações a respeito das manutenções previstas.
Para os arquitetos, engenheiros e construtores responsáveis, o BIM é uma poderosa ferramenta que facilita a elaboração dos projetos, a comunicação entre os profissionais envolvidos e fornece informações e detalhes precisos a respeito dos cronogramas e etapas da obra.
Para as imobiliárias e corretoras é possível utilizar o BIM para oferecer aos futuros compradores um “tour virtual” pela obra pronta, garantindo uma melhor experiência aos clientes.

Realidade do BIM no Brasil e no mundo

O BIM já é uma realidade em muitos países do mundo, principalmente os países mais desenvolvidos. Alguns países vem utilizando diversas estratégias para incentivar a aplicação desse conceito nos projetos e obras. Dentre exemplos podemos citar países como Estados Unidos e Reino Unido, onde o governo exige a utilização do BIM para novos projetos de obras públicas.
Também em Singapura é realizada uma análise do modelo BIM para a aprovação de projetos arquitetônicos, estruturais, hidráulicos, elétricos e instalações de ar-condicionado.
Na América Latina o Chile se destaca no uso do BIM, pois exige a utilização do mesmo para a elaboração de projetos de hospitais em licitações públicas.
O Brasil, embora o BIM ainda não seja amplamente utilizado, vem seguindo essa tendência mundial, portanto, o uso do BIM é visto como um diferencial pelas empresas do setor da construção civil. O conceito também está sendo inserido aos poucos dentro das universidades do país, mas ainda não é amplamente difundido.

Conclusão

A utilização do conceito BIM, tanto no desenvolvimento quanto nas etapas de execução dos projetos, traz uma série de vantagens para todos os envolvidos no empreendimento. Sua utilização facilita o cumprimento de prazos, aumenta a precisão dos orçamentos e agrega qualidade a obra, em virtude disso o uso do BIM como uma importante ferramenta no planejamento de obras só tende a crescer no mundo todo.

Referências

THOMÉ, Brenda. O QUE É BIM? ENTENDA AGORA O CONCEITO E SUAS APLICAÇÕES. Disponível em: https://www.sienge.com.br/blog/voce-sabe-o-que-e-bim-entenda-o-conceito-e-suas-aplicacoes/. Acesso em: 14/11/2018.

GONÇALVES, Francisco. BIM: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ESTA METODOLOGIA. Disponível em: http://maisengenharia.altoqi.com.br/bim/o-que-e-bim-o-que-voce-precisa-saber/#realidadebim. Acesso em: 14/11/2018.




quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O aprendizado e o Ensino da Análise Estrutural


           Por Prof. Dr. Elvídio Gavassoni

        As estruturas são os elementos que recebem e conduzem as cargas advindas do uso e da existência de uma edificação até a sua fundação[1]. É natural, portanto, que o projetista (Engenheiros e Arquitetos) tenha que lidar com a Análise Estrutural. De modo imperfeito, porém não incompleto, a Análise Estrutural compreende todos os esforços que o projetista faz para responder a três questões fundamentais:1) A que solicitações a estrutura estará submetida durante a vida útil prevista para a edificação? 2) Quais efeitos essas solicitações provocam na estrutura? 3) Como responderão os elementos estruturais aos efeitos neles suscitados pelas solicitações previstas? Na árdua tarefa de conduzir os estudantes pelos intricados caminhos que essas três questões fundamentais, e as numerosas subquestões que delas derivam, professores e livros didáticos têm quase sempre optado pela estratégia de dividir para conquistar.
          Os conteúdos programáticos das disciplinas e as ementas de textos básicos de Análise Estrutural repartem os conceitos, os métodos, as fases, os processos e os critérios do estudo das estruturas em numerosas unidades de conhecimento. Essa estratégia sequencial e linear, extremamente difundida no fazer acadêmico, é de toda incompatível, tanto em sequência lógica quanto cronológica, com o fazer profissional[2]. É natural que o projetista tenha que partir de uma visão global e completa, ainda que rascunhada, dos objetivos, dos requisitos, das limitações e dos intervenientes do projeto estrutural. Somente após o domínio qualitativo das formas e dos esquemas globais, é que o projeto estrutural percorre os caminhos da subdivisão em elementos e seus respectivos dimensionamentos (análise quantitativa) e procedimentos construtivos.
          Em flagrante desconexão com o processo natural do projeto estrutural, estudantes de Arquitetura e Engenharia são treinados, exaustivamente, a lidar com o conhecimento da Engenharia em pequenos blocos. A estratégia se baseia na hipótese de em algum instante (e por sua própria conta) os futuros projetistas conseguirão organizar (em sentido reverso) as informações adquiridas (pregressas e fragmentadas) no entendimento global dos projetos estruturais.
          A hipótese raramente se confirma na prática. A premissa em que ela se apoia possui uma ordem exatamente inversa à ordem natural do processo de projeto estrutural. O processo ensinado e aprendido é, portanto, artificial! Consequentemente, e quase universalmente, o resultado é quase sempre que os recém-formados deixem os bancos da faculdade e entrem nos postos de trabalho com a impressão de que nadam sabem. Eles sabem! Só não sabem que sabem! O conteúdo programático ao longo dos 5 anos das graduações em Engenharia e Arquitetura são tão extensos que me fazem recordar a afirmação do grande engenheiro civil espanhol Eduardo Torroja Miret: “Nas escolas há tanto que aprender que rara vez sobra tempo para pensar”[3]. O que os neófitos não sabem é organizar, e em ordem inversa, as numerosas pequenas peças do quebra-cabeça obtidas nos anos de estudo universitário para visualizar e pensar os projetos estruturais de forma global para solução de problemas profissionais práticos.
              Esse processo de treinamento é altamente eficiente na capacitação dos alunos para resolução de problemas de listas de exercícios e de questões de provas. Problemas artificialmente criados para terem solução do tipo fechada e única. Questões altamente específicas, claramente delimitadas e exaustivamente mastigadas pelos professores e autores de livros didáticos. Contudo, tal metodologia costuma produzir estudantes incapazes de analisar sistemas de problemas complexos. Inábeis para identificar e para confrontar questões básicas versus questões detalhadas. Inaptos para formular, de forma independente, uma estratégia hierárquica e um plano adequado para lidar com os problemas de Engenharia práticos. Problemas reais que não possuem solução única nem fechada.
            A questão que se impõe: Apesar dessas limitações tão universalmente observadas por que essa metodologia se mantém nos cursos universitários e nos livros didáticos? É algo em que penso desde que me tornei professor. E ainda não cheguei a uma resposta conclusiva. Tenho alguns palpites. O primeiro deles é a tradição. Nossos professores nos ensinaram desse modo. Antes deles, os professores dos nossos professores os ensinaram assim. Parece um argumento prosaico. E ele o é! O grande escritor inglês G. K. Chesterton dizia que o negócio dos progressistas é continuar cometendo erros e que o papel dos conservadores é evitar que os erros sejam corrigidos[4]. Mudar demanda tempo e energia. A lei do menor esforço é uma grande força da natureza!
            Outra suspeita que partilho é que a estratégia linear de dividir para conquistar é extremamente viável. Ela facilita, e consolida, as versões tradicionais da organização dos currículos escolares, da aplicação de avaliações de aprendizado e da estruturação dos conteúdos programáticos. A exigência e o esforço intelectual para estruturar livros e cursos de graduação na ordem natural do pensar e do fazer do projeto estrutural têm se mostrado uma demanda alta demais para grande parte dos professores e dos autores.
         Por fim uma sugestão que me ocorre é o esquecimento. Engenheiros e arquitetos (que acumulam os papéis de autores e professores) que já aprenderam a analisar um problema estrutural na ordem natural e não precisam mais juntar pequeninas peças de quebra-cabeças, parecem esquecer, ao perpetuar o modelo clássico de aprendizado e ensino, do constante desassossego que os acompanhava nos bancos das salas de aula e das bibliotecas universitárias.
         O caminho a ser percorrido para que o processo de ensino e aprendizado emule mais o processo natural do projeto estrutural me parece longo e árduo. Porém, possível, e mais ainda, indispensável. Algumas iniciativas pontuais e simples, porém, trariam grandes benefícios. A mais importante, ao meu ver é prover mais experiências com a prática do projeto. Metodologias de aprendizado baseadas em projeto[5] refletem naturalmente a complexidade, a incompletude de dados, as diferentes (e muitas vezes conflitantes) demandas comumente existentes na solução de problemas de Engenharia Estrutural[6]. O uso de situações de projeto no ensino da Engenharia Estrutural é, ao meu ver, uma estratégia viável de reconsiderar e repensar o treinamento de futuros engenheiros e arquitetos para que sejam capazes de dominar problemas estruturais de forma global e completa.



[1] Schodek, D. e Bechthold, M. Structures, 2013
[2] Lin, T. Y. e Stotesbury, S. D. Structural Concepts and Systems for Architects and Engineers, 1981
[3] Philosophy of Structures, 1958
[4] The Everlasting Man, 1925.
[5] Project-Based Learning (PBL) em inglês
[6] Mills, J. E. e Treagust, D. F. Engineering education – is problem based or project-based learning the answer? Journal of Engineering Education, 2003.