terça-feira, 3 de setembro de 2019

A universidade está nos preparando para o mercado?


Por Alexandre Wolf e Fernando Scheffer

Você provavelmente entrou na universidade pensando em uma boa preparação profissional, certo? Conhecer uma área, se especializar nela e sair tendo as competências certas para se destacar no mercado é o desejo da maior parte dos estudantes. Mas será que a universidade está cumprindo esse papel?

A educação tem inúmeros objetivos, sendo o mais importante, para a maioria das pessoas, a preparação profissional. Em todo o mundo, o modelo padrão para atender a essas necessidades de educação profissional é o mesmo: cursos formais e regulamentados de longa duração em que o aluno deve cumprir determinada carga horária de disciplinas para obter um diploma – as faculdades. Para diversas carreiras, entre elas as de engenharia, essa solução é a única – e obrigatória – opção.

No entanto, e apesar do enorme investimento de tempo, energia e dinheiro por parte de milhões de pessoas cursando faculdades e outros cursos profissionalizantes, está cada vez mais em evidência o fato de que o sistema de educação superior atual não cumpre totalmente seu objetivo principal.

Vários estudos mostram que, cada vez mais, estudantes não possuem as habilidades e conhecimentos necessários para atuar no mercado. Um relatório da consultoria McKinsey & Company apontou que há uma grande diferença entre as habilidades que as empresas precisam e a disponibilidade dessas habilidades no mercado, fato que contribui, em vários países e áreas de atuação, para a existência simultânea de desemprego e vagas não preenchidas.

Essas lacunas entre a preparação dos estudantes e as necessidades das empresas e dos clientes é um fenômeno mundial, conhecido como skill gaps. E a tendência, no contexto da chamada quarta revolução industrial, é que esses gaps fiquem ainda maiores. Como resume o relatório:

“Empregadores, instituições educacionais e os jovens vivem em universos paralelos”.

Entre as principais razões para essa desconexão estão os currículos mal estruturados e uso de metodologias de ensino inadequadas, sem nenhuma personalização.

Apesar da diversidade ilimitada de interesses e de objetivos individuais, o sistema atual oferece uma gama limitada de soluções e alternativas educacionais. As pessoas aprendem de diferentes maneiras e têm diferentes necessidades, mas todo o sistema de educação atual é desenhado para padronização.

Além do fato de obrigar os estudantes a cursar disciplinas que não são do seu interesse ou não são diretamente ligadas aos seus objetivos, a maneira como são estruturados os cursos apresenta uma lógica fragmentada, em que não se aprende a resolver de forma completa um problema real.

Toda essa falta de alinhamento entre conteúdos e metodologias e os objetivos profissionais de cada estudante fatalmente resulta em ineficiências e desperdícios de tempo e de recursos financeiros.

Para se ter uma ideia, de acordo com dados do próprio MEC, um aluno de universidade federal chega a custar R$ 4 mil por mês. Um curso de Engenharia Civil, que dura 60 meses, custa portanto R$ 240 mil.

E mesmo com todo o investimento e tempo despendidos, numa era de mudanças cada vez mais velozes, estamos fazendo cursos ineficientes, em formatos não muito diferentes daqueles utilizados 50 anos atrás.

Levando em consideração todo esse contexto e tendo como objetivos ouvir as opiniões dos clientes do curso de Engenharia Civil da UFPR, foi realizada no primeiro semestre desse ano a aplicação de um questionário online. O questionário buscou entender suas necessidades e objetivos de carreira relativos ao produto educacional a eles ofertados, e os resultados são apresentados a seguir.


Resultados da pesquisa

Foram coletadas ao todo 121 respostas válidas para o questionário. De maneira geral, conforme mostra a figura abaixo, as metodologias de ensino foram muito mal avaliadas. Dos participantes, 82% consideraram elas inadequadas, 48% acreditam que vão usar pouco do que estudaram e 39% tiveram a percepção de que do total da carga horária em que estiveram em sala ao longo dos anos, a maior parte não gerou aprendizagem útil para suas vidas.

Resultados das questões sobre a satisfação geral com o ensino
Fonte: Os Autores

Também foram exploradas perguntas relativas à percepção em termos de preparação e aprendizagem em áreas específicas. Grande parte das pessoas respondentes, que em sua maioria estão em final de curso e até mesmo formadas, declarou que não se sente preparada para exercer atividades básicas da construção civil, como projetar e gerenciar uma obra.

Além disso, 88% dos entrevistados consideraram não ter aprendido sobre a área de incorporação e mercado imobiliário. Apesar de ser parte da prática profissional de muitos dos engenheiros, o tema não é aprofundado em nenhuma disciplina no curso de Engenharia Civil da UFPR.


Resultados das questões sobre capacitação em construção civil
Fonte: Os Autores

Quando questionados sobre os fatores mais importantes num curso de formação profissional, a capacitação direcionada para o mercado foi escolhida por 93% dos participantes, o contato com colegas por 64% e o networking com profissionais e empresas por 61%.

Por fim, as áreas em que os participantes têm maior interesse de estudar ainda em 2019 são ‘Incorporação e Mercado Imobiliário’ e ‘BIM e Projetos Complementares’, ambas escolhidas por metade dos entrevistados.


Resultados das questões de múltipla escolha do questionário
Fonte: Os Autores


O futuro da educação superior

Levando em consideração os resultados do questionário, bem como todo o contexto acima apresentado, conclui-se que mudanças na maneira pela qual se preparam os profissionais do profissionais do futuro são essenciais.

A solução não é simplesmente aplicar uma nova metodologia em sala de aula ou pedir mais investimentos, mas sim construir novos sistemas de aprendizagem.

Clayton Christensen, professor de Harvard mundialmente conhecido por sua teoria da Inovação Disruptiva, acredita que o modelo de negócios das universidades atuais não se sustentará, e que a tendência é que a educação seja transformada por novos entrantes. Peter Drucker, um dos maiores nomes da administração moderna, chegou a dizer, em 1997:

“Daqui a 30 anos, os grandes campi universitários serão relíquias. As universidades não vão sobreviver”.

Evidentemente, a velocidade da mudança está bem menor que a imaginada por ele. Isso porque é muito difícil prever quando e como exatamente se darão as transformações no setor. Inclusive, hoje discutem-se vários possíveis cenários.


5 possíveis cenários para o mercado da Educação em 2030
Fonte: Holon IQ

Existem inúmeras startups e instituições nacionais e internacionais propondo novas alternativas e soluções educacionais, com cursos de curta ou média duração, sejam eles online, presenciais ou mesmo híbridos entre os dois.

O desafio é descobrir quais serão os melhores formatos educacionais e os modelos de negócio mais bem sucedidos. O que determinará essas respostas é a constante busca por parte dessas empresas educacionais em satisfazer as necessidades dos seus clientes ao longo do tempo.

O que se pode afirmar com segurança é que apenas instituições que de fato oferecerem uma experiência educacional valorosa e útil aos estudantes, com duração e custos competitivos, irão sobreviver.

Pode-se também dizer que além disso, o modelo de educação do futuro precisa ser centrado no estudante, ou ao menos dar a ele maior autonomia nas escolhas. Deveriam existir tipos diferentes de escola para cada tipo de demanda.

Portanto, se houverem mudanças estruturais, que envolvam uma combinação de modelos de negócio inovadores, uso inteligente da tecnologia, currículos mais assertivos e livre concorrência entre sistemas, poderemos ter consideráveis reduções no preço e duração dos cursos.

E o mais importante: maior customização, qualidade e resultados na aprendizagem, preparando os alunos de fato para atuar no mercado de trabalho.

E você, como acha que será a educação do futuro?


Referências

Holon IQ. Education in 2030: The 10 Trillion Dollar Question. Disponível em: https://www.holoniq.com/2030/. Acesso em: 31/08/2019.

As demais referências estão no artigo em anexo, que será apresentado pelos autores no Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE 2019).



sexta-feira, 30 de agosto de 2019
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Atuação dos modais de transporte no Brasil

Por Gabrielle Julian


O transporte existe desde sempre. Seja o transporte de pessoas, que pode até ser representado pelos nômades, ou o transporte de mercadorias, que já era muito praticado no Império Romano, essa atividade representa não apenas o progresso da sociedade, mas a conexão interna e externa existente entre as nações. Naturalmente, a evolução dos meios e da qualidade do transporte reflete um pouco a situação econômica do país. E o que os meios de transporte do Brasil tem a dizer sobre nós?

Matriz de transportes de cargas no Brasil
Fonte: Exame Abril

Rodovias

O transporte rodoviário é responsável por grande parte da locomoção de cargas, e chega a ser ainda mais significativo quando falamos do transporte de pessoas. Existem pontos positivos e negativos que podem ser analisados a partir dessa informação. Primeiramente, em questão de custos, as rodovias são a alternativa mais barata quando precisam ser construídas do zero. A manutenção das vias, por outro lado, é algo que precisa ser feito com certa frequência, e pela falta dessa manutenção, muitas estradas brasileiras apresentam problemas relacionados à estrutura.

Analisando a questão de trajeto, com certeza é o meio mais simples, considerando que as limitações são praticamente inexistentes, quando comparamos com os outros modais. Entretanto, como é o modo mais utilizado no Brasil, apesar de a distância entre o ponto de partida e de chegada ser a menor possível, a superlotação de veículos nas estradas acaba aumentando muito o tempo necessário para chegar ao destino.

A sobrecarga do transporte rodoviário.
Fonte: Modalistics

Ferrovias

Em segundo lugar temos o transporte ferroviário. Atualmente a malha ferroviária brasileira apresenta uma extensão de aproximadamente 30 mil km, concentrada principalmente nas regiões sul e sudeste do país. Essas vias são atualmente utilizadas para o transporte de carga, sendo os principais produtos o minério de ferro (73% da carga transportada por trens), soja (5%) e milho (3%), entre outros produtos minerais e agrícolas. O potencial apresentado pelo transporte ferroviário, entretanto, supera o seu real uso no Brasil, especialmente quando se trata do transporte de pessoas. Apesar de recentemente o investimento, tanto público quanto privado, nas ferrovias ter aumentado, ainda há muito espaço para melhora.

O transporte ferroviário traz tremendos benefícios, entre eles o baixo custo de manutenção, a durabilidade de sua infraestrutura, baixo custo de frete, inexistência de pedágios, menores custos ambientais (por conta do uso do diesel como combustível e da existência de trens elétricos), além da probabilidade de roubo de carga e acidentes caírem drasticamente quando comparados com o transporte rodoviário. As desvantagens envolvem o alto custo para a construção das vias (principalmente em terrenos com inclinação elevada), a inconsistência do sistema de bitolas e a atual insuficiência e estado da malha ferroviária. Entretanto, mesmo que a unificação das bitolas seja algo trabalhoso e que implica na reconstrução de boa parte da malha ferroviária existente, o esforço vale a pena. O transporte de cargas seria aperfeiçoado para quantidades que pesem 27 toneladas ou mais (o que tiraria muitos caminhões das rodovias), mas a principal mudança seria a extrema otimização do transporte de pessoas, que se tornaria mais rápido, barato e eficiente.

A durabilidade dos elementos que compõem o transporte ferroviário.
Fonte: Confederação Nacional do Transporte

Competição Modal no transporte de carga.
Fonte: Confederação Nacional do Transporte

Hidrovias 

A utilização dos rios como meio de transporte é algo complicado. Quando se trata de um rio naturalmente navegável, os benefícios são imensos, uma vez que o transporte hidroviário é ainda menos poluente que o ferroviário, consegue levar mais carga em uma viagem só e a chance de acidentes que acarretam em perda de carga é ainda menor. Entretanto, o cenário muda para os rios não navegáveis, uma vez que investimento necessário para transformá-los em hidrovias é muito alto. 
Levando em consideração que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o orçamento disponível para as hidrovias é de apenas 3% do valor disponível para as rodovias, o alto investimento necessário se torna ainda mais problemático.  

Além disso, os rios são as vias mais afetadas por mudanças climáticas, que podem chegar a inviabilizar a passagem das embarcações.

Rio Tacuary.
Fonte: Administração Hidrovias do Sul



Portanto, a imagem que o Brasil passa através da locomoção de cargas e pessoas não é das melhores, mas temos apresentado aprimoramentos e sinais de evolução. A maior questão, na verdade, não é nem a qualidade do transporte, mas a concentração de quase 60% dele em apenas um modal. Uma vez que esse problema for resolvido, a tendência é só melhorar.

O transporte de cargas bem distribuídos entre os modais.
Fonte: Modalistics

Referências 

SILVA, Wellington Souza. TRANSPORTE FERROVIÁRIO. Disponível em: https://www.infoescola.com/geografia/transporte-ferroviario/ Acesso em: 31/07/2019

QUAL A IMPORTÂNCIA DAS FERROVIAS PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO? Disponível em: http://www.vale.com/brasil/PT/aboutvale/news/Paginas/qual-a-importancia-das- ferrovias-para-o-desenvolvimento-socioeconomico-de-um-pais.aspx Acesso em: 31/07/2019

TRANSPORTE E ECONOMIA - O SISTEMA FERROVIÁRIO BRASILEIRO. Disponível em: http://cms.cnt.org.br/Imagens%20CNT/Site%202015/Pesquisas%20PDF/Transporte


DE OLIVA, José Alez Botêlho. PANORAMA DAS HIDROVIAS BRASILEIRAS. Disponível em: http://portal.antaq.gov.br/wp- content/uploads/2016/12/%E2%80%9CPanorama-das-Brasileiras%E2%80%9D-Jos%C3%A9-Alex-Botelho-de-Oliva.pdf  Acesso em: 02/08/2019

HIDROVIAS BRASILEIRAS SÃO DESCONSIDERADAS PELO PODER PÚBLICO. Disponível em: https://www.portosenavios.com.br/noticias/navegacao-e-marinha/hidrovias-brasileiras-saodesconsideradas-pelo-poder-publico Acesso em: 02/08/2019

RODOVIAS FEDERAIS. Disponível em: https://www.infraestrutura.gov.br/rodovias- brasileiras.html Acesso em: 05/08/2019

CARRION, Raul K. M. AS FERROVIAS COMO INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO NACIONAL. Disponível em: http://www.raulcarrion.com.br/ferrovias.asp . Acesso em:07/08/2019 





sábado, 27 de julho de 2019

CHINA: A NOVA COLOSSAL DA CONSTRUÇÃO CIVIL



 Por João Antonio Comine da Silva

Em um país que exibe números que impressionaram e continuam a impressionar o mundo inteiro. Detentora do 2° maior PIB do mundo e com mais de 12 trilhões de Dóllares, e uma economia que cresceu em média 8% nos últimos 30 anos, a China expressa números que êm impressionando o mundo inteiro. Esses fatores possibilitaram a eles a construção de diversas obras faraônicas, batendo diversos recordes e transformando o cotidiano dos chineses, que deixa de ser um país rural para ser cada vez mais um país urbanizado.
Com o gigantesco crescimento vivido pelos últimos anos pelos chineses, se tornou cada vez mais comum a construção de obras mais modernas, impactantes e complexas, com algumas delas se destacam mundialmente.

Ponte de Vidro de Zhangjiajie

Fonte: Blog SCA

            Inaugurada em 2016, a ponte de vidro localizada entre dois penhascos naturais de Zhangjiajie, cenário que atraí diversos turistas, foi cenário de filmagens de filmes como Avatar e declarada como patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Possui 430 metros de extensão e 6 metros de largura, o que garante a ela o título de Maior Ponte de Vidro do Mundo, suspensa a 300 metros do solo. A ponte projetada pelo arquiteto Haim Dotam é composta por 3 camadas de vidro, o que dá uma incrível resistência, podendo suportar mais de 2 toneladas de carga pontual ou 60 toneladas de carga distribuída (aproximadamente 800 pessoas), e resistindo a batidas de martelos em sua superfície.

Hidroelétrica de Três Gargantas

Fonte: China Vistos

            Situada no maior rio da China, o Yang-Tsé, ostenta o título de Maior Barragem do Mundo, com 2.309 metros de comprimento e 185 metros de altura. Teve a sua a sua construção iniciada em 1993, com inauguração em 2006, fruto de um projeto ambicioso de gerar e baratear a produção de energia do país. Implicou no realojamento de 1.300.000 pessoas e a inundação de uma área de 1.045 m². Possui uma capacidade de gerar 22.400 MW por hora, gerando 101 milhões de MW em 2018, só ficando atrás da Hidrelétrica de Itaipu em quantidade de energia produzida.

Centro Global do Novo Século

Fonte: Dreamstime

           Localizado em Chengdu, no cetro da China, é o edifício com Maior Área a Tocar o Solo. Idealizado pelo magnata Deng Hong, tinha como objetivo inicial ser tão grande e com tantas variedades que seria uma cidade artificial, afim de fugir do grande problema que é o ar poluído na região. Construída em uma parceria entre Governo Chinês e a empresa de Hong, a Entertainment and Travel Group, teve início de suas construções em 2010 e inauguração em 2013, possuindo uma área de 1.700.000 m², equivalente a 4 vaticanos ou 3 pentágonos. O edifício possui ambientes como dois shoppings centers, um parque de diversão, uma pista de patinação, um cinema, um complexo universitário, um hotel com mil quartos, um museu de arte e uma torre de negócios, além de um rio artificial e a Padise Islad Oceanic Park, que é um parque aquáticos com uma praia artificial com capacidade para 6 mil banhistas, além de diversas outras atrações.

Aeroporto Internacional de Daxing

Fonte: Época Negócios

            Conhecido também como Novo Aeroporto de Pequim, é o Maior Aeroporto em Prédio Único do Mundo, com capacidade para receber 100 milhões de passageiros por ano, fazendo parte do projeto chinês de se tornar o maior mercado aéreo do mundo, possibilitar cada vez mais a entrada de turistas no país e o transporte aéreo de cargas de alto valor. Pequim já conta com um aeroporto internacional, o Aeroporto internacional de Pequim, que comporta 70 milhões de passageiros por ano, juntos comportariam 170 milhões de passageiros por ano. O aeroporto estabelece um modelo sustentável de construção com a presença de painéis solares e coletor de água da chuva, com o desenho de um boomerang projetado pela Zaha Hadid. Com início das obras em 2014 e conclusão das construções em julho de 2019, por motivos de testes a inauguração será feita em 30 de setembro de 2019, a construção desse aeroporto faz de Pequim uma das pouquíssimas cidades do mundo a ter dois aeroportos internacionais.

Referências

 AGÊNCIA EFE. Globo. Com quase meio quilômetro, China inaugura ponte de vidro mais longa do mundo. 2017. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2019.

ITAIPU. ITAIPU MANTÉM RECORDE DE GERAÇÃO, MESMO COM PRODUÇÃO EXCEPCIONAL DE TRÊS GARGANTAS. 2019. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2019.

ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO. A maior barragem do mundo - A Barragem das Três Gargantas. 2011. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2019.

TAGLIANI, Simone. Confira os números impressionantes do edifício mais largo do mundo. 2018. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2019.

ÉPOCA NEGÓCIOS. Mega-aeroporto de US$ 12,9 bilhões fica pronto em Pequim, na China. 2019. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2019.

SILVEIRA, Leonardo Souza. Engenharia chinesa e suas obras-primas excepcionais. 2017. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2019.

sábado, 13 de julho de 2019

A cidade de Balneário Camboriú e os edifícios mais altos do Brasil

Por Jhonatan Lutes de Oliveira

Localizada no litoral do estado de Santa Catarina, a cidade de Balneário Camboriú é um dos principais destinos turísticos do sul do país. De acordo com estimativas do IBGE, em 2018 o município contava com cerca de 138.732 habitantes, no entanto, na alta temporada, Balneário Camboriú chega a receber mais de 1 milhão de pessoas.
A cidade é frequentemente denominada de Capital Catarinense do Turismo. O principal destaque do turismo na cidade são suas praias, porém, a verticalização de seus imóveis vem chamando a atenção há algum tempo, com a cidade contendo alguns dos arranha-céus mais altos do país. 
Há quem diga que para que um edifício seja considerado um arranha-céu ele deve ter no mínimo 100 metros, outros dizem que deve ter 150 metros, há ainda quem diga que não há limite definitivo estabelecido. O fato é que estes edifícios estão cada vez mais presentes em Balneário Camboriú, já que mais de 20 prédios com mais de 100 metros foram inaugurados no século XXI na cidade, um marco impressionante, considerando a sua baixa população.

Balneário Camboriú
Fonte: Wikimedia

Os maiores Arranha-céus de Balneário Camboriú

Outro termo comumente ouvido quando se trata de Balneário Camboriú é “Dubai brasileira”, termo cunhado principalmente pela quantidade de arranha-céus presentes na cidade. Até 2022, Balneário Camboriú contará com os 4 maiores arranha-céus brasileiros, sendo o One Tower o mais alto deles, com a incrível marca de 280 metros de altura, o que lhe-dá marco de segundo maior arranha-céu da América Latina.

One Tower

       Atualmente em construção, o One Tower será o maior arranha-céu do Brasil. O edifício, construído em concreto armado, tem data de inauguração prevista para 2022. O empreendimento de alto luxo contará com 70 pavimentos, sendo 4 pavimentos destinados para áreas de lazer, 4 suítes, com duas de frente para o mar, e uma área de 194,24 m² por apartamento.

One Tower
Fonte: FG Empreendimentos

Yachthouse Residence Club

“As torres gêmeas brasileiras”. O empreendimento contará com duas torres, cada uma com 81 pavimentos e 274 metros de altura, e será o segundo maior edifício do Brasil, com inauguração prevista para 2020. Construído em concreto armado, o design do edifício foi projetado pelo escritório italiano Pininfarina que trouxe uma belíssima fachada com pele de vidro. O arranha-céu contará com 10.000 m² de área de lazer, contendo dois apartamentos por andar em cada torre, com 4 suítes cada um.

Yachthouse Residence Club
Fonte: The Skyscraper Center

Infinity Coast

O Infinity Coast é considerado atualmente o maior edifício do Brasil, visto que todo seu projeto estrutural já está finalizado. O arranha-céu, que contará com 66 pavimentos e 234,7 metros de altura, tem sua estrutura em concreto armado e será inaugurado no final de 2019. Além da grandiosidade, sua fachada com pele de vidro é outro aspecto que chama a atenção de admiradores dessas grandes obras de engenharia.

Infinity Coast
Fonte: FG Empreendimentos

Vitra

Outro edifício onde o design ficou por conta do Pininfarina, o edifício Vitra terá 208 metros de altura e será o quarto maior arranha-céu do país. Ainda no processo de fundação, o empreendimento também será de concreto armado e contará com 62 pavimentos. Os apartamentos terão 171m² de área privativa, contendo 4 suítes cada um.


Edifício Vitra
Fonte: Alto Padrão BC

Referências

Lista dos arranha-céus mais altos do Brasil. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_dos_arranha-c%C3%A9us_mais_altos_do_Brasil#cite_note-VisualDictionary-1. Acesso em: 08/07/2019
Balneário Camboriú. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/sc/balneario-camboriu.html?. Acesso em: 08/07/2019
A Cidade. Disponível em: https://www.bc.sc.gov.br/a-prefeitura.cfm. Acesso em: 08/07/2019
Balneário Camboriú. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Balne%C3%A1rio_Cambori%C3%BA#cite_note-7. Acesso em: 08/07/2019
Arranha-céu: necessidade ou exagero? Conheça os maiores do Brasil e do mundo. Disponível em: https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetura/arranha-ceu/. Acesso em: 08/07/2019. 
Lista de arranha-céus de Balneário Camboriú. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_arranha-c%C3%A9us_de_Balne%C3%A1rio_Cambori%C3%BA. Acesso em: 08/07/2019
Yachthouse Residence Club, em Balneário Camboriú, será o maior empreendimento da América Latina. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/high-end/yachthouse-residence-club-em-balneario-camboriu-sera-o-maior-empreendimento-da-america-latina/. Acesso em: 08/07/2019
Yachthouse Residence tem sistema inédito para sustentar 81 andares. Disponível em: https://perfilnautico.com.br/yachthouse-residence-emprega-sistema-inedito-em-construcoes-para-sustentar-81-andares/. Acesso em: 08/07/2019
Infinity Coast. Disponível em: https://www.fgempreendimentos.com.br/empreendimentos/infinity-coast/. Acesso em: 08/07/2019
Vitra Balneário Camboriú. Disponível em: http://www.altopadraobc.com.br/vitra-balneario-camboriu. Acesso em: 08/07/2019
One Tower. Disponível em: http://www.skyscrapercenter.com/building/one-tower/16120. Acesso em: 08/07/2019
Yachthouse Residence Club by Pininfarina Tower 1. Disponível em: http://www.skyscrapercenter.com/building/yachthouse-residence-club-by-pininfarina-tower-1/16125. Acesso em: 08/07/2019
Infinity Coast Tower. Disponível em: http://www.skyscrapercenter.com/building/infinity-coast-tower/13985. Acesso em: 08/07/2019
Vitra Residence. Disponível em: http://www.skyscrapercenter.com/building/vitra-residence/23038. Acesso em: 08/07/2019
segunda-feira, 1 de julho de 2019

Cidades Inteligentes: o futuro é agora!

Por: Gabriel Paula Soares Gomes de Souza

Introdução


Nunca na história da humanidade viveu-se tanto em cidades quanto hoje. Estima-se que até 2050 3 a cada 5 pessoas viverão em áreas urbanas. Por isso, mais do que nunca, devemos nos utilizar da tecnologia para otimizar a vida nas cidades. Sabendo dessa necessidade, surge o conceito de cidades inteligentes. Nelas, há o uso da rede digital para o benefício da população; com elas, a vida urbana será totalmente diferente do que vemos hoje.

O que faz de uma cidade ser inteligente
Fonte: Universal Automação

Cidades inteligentes ao redor do mundo

Os investimentos em cidades inteligentes tendem a ultrapassar US$ 135 BI em 2021, de acordo com a International Data Corporation (IDC). Esse tema já deixou de ser tendência e já é realidade. Mas onde podemos notar aplicações desse conceito em cidades atuais?

  • Barcelona (ESP):
Na cidade catalã, diversos sensores foram instalados nas vagas de estacionamento para que os motoristas deixem de dar voltas no quarteirão para encontrar vagas; isso diminuiria o tráfego, uma vez que 30% do congestionamento urbano é fruto de motoristas procurando por uma vaga (Intelligent Transportation Society). Barcelona também é pioneira no investimento em medições inteligentes do consumo de água; de acordo com Cisco, a cidade economizou US$ 58 MI anuais com essa inovação.

  • Chicago (EUA):

Chicago é uma das líderes internacionais na implementação de tecnologias urbanas. Lá, usa-se sensores nas lixeiras para determinar quais estão cheias, e assim tornou-se 20% mais eficiente no controle da população de ratos. Além disso, a segurança também é auxiliada pela tecnologia; diversas câmeras foram instaladas em postes de iluminação. Por fim, Chicago ainda procura engajar os cidadãos nas tecnologias da cidade por meio de aplicativos.

  • San Antonio (EUA):

Mesmo não estando na lista das cidades americanas mais conhecidas ao redor do mundo, San Antonio é uma das referências mundiais no ramo de automação de cidades. Na cidade de 1,4 milhões de habitantes, a iluminação pública se ajusta de acordo com o clima, a fim de sanar um grande problema nas regiões secas do Texas: acidentes durante as ocasionais chuvas fortes. Além disso, San Antonio conectou seus semáforos para aumentar a eficiência do tráfego, e economizou centenas de milhões de dólares anuais com essa mudança. 


Referências

SMART CITIES. Disponível em:

SMART CITIES RESEARCH HIGHLIGHTS. Disponível em:http://www.bu.edu/systems/research/sc-research-highlights/. Acesso em: 24/06/2019  

MADDOX,Teena. SMART CITIES: A CHEAT SHEET. Disponível em: https://www.techrepublic.com/article/smart-cities-the-smart-persons-guide/. Acesso em: 24/06/2019 

MADDOX,Teena. SMART PARKING, SMART LIGHTING, FLEET MANAGEMENT AT HEART OF NOKIA'S IOT PLATFORM UPDATE. Disponível em:

MADDOX,Teena. THE WORLD'S SMARTEST CITIES: WHAT IOT AND SMART GOVERNMENTS WILL MEAN FOR YOU. Disponível em:
quarta-feira, 12 de junho de 2019

A História e o Exemplo de André Rebouças


Por Gabriel Juc Dias

História

Apesar do sobrenome comum que batiza bairros e avenidas, André Pinto Rebouças foi uma das personalidades marcantes que pouco se é comentada em nossa história. André nasceu em 1838. Seu pai, Antônio Pereira Rebouças, era advogado e sua mãe, Carolina Pinto Rebouças, filha de comerciante. A família Rebouças se muda para o Rio de Janeiro em 1846 e os filhos continuam seus estudos. Oito anos depois, André e seu irmão Antônio ingressam no curso de Engenharia Militar pela Escola Central do Exército. Nos anos seguintes os irmãos Rebouças entram como voluntários no Batalhão de Artilharia e, em 1860, recebem o grau de Engenheiro Militar e galões de primeiro tenente. Os irmãos são considerados os primeiros negros brasileiros a cursar uma universidade. 
No ano seguinte recebem bolsas de estudos, prêmios dados para os melhores alunos, e seguem para a Europa, para os cursos de especialização em Engenharia Civil. Permanecem dois anos entre a França e a Inglaterra e ao voltar para o Brasil, André escreve “Memórias sobre os Caminhos de Ferro da França" e junto com o irmão escreve "Estudos sobre Portos de Mar".



André Rebouças
Fonte: Portal Unifei.


  Engenheiros Rebouças

  André serviu como engenheiro na Guerra do Paraguai. Escreveu ainda diversos artigos de cunho técnico, ligados aos diversos ramos da engenharia. Junto ao seu irmão, foi autor do projeto de estrada de ferro Antonina-Curitiba, que serviu de base para o desafiador trecho entre serras da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Também foi autor de projetos de ponte de ferro sobre o rio Piracicaba e da avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro. Ainda na capital fluminense, André se destacou por ser o primeiro a solucionar o problema de abastecimento de água com mananciais fora da cidade.


Campanha abolicionista

André foi um dos mais ativos militantes do movimento abolicionista brasileiro. Esteve a frente da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão e outras diversas sociedades. Venceram no dia 13 de maio de 1888. Com a Proclamação da República em 1889, Rebouças, monarquista, embarca junto com a família real para a Europa e nela se mantém até os últimos dias de sua vida, falecendo em 1896.


Referências

FRAZÃO, Dilva. BIOGRAFIA DE ANDRÉ REBOUÇAS. Disponível em: https://www.ebiografia.com/andre_reboucas/. Acesso em: 04/06/2019.

FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO, ANDRÉ REBOUÇAS. Disponível em http://antigo.acordacultura.org.br/herois/heroi/andrerebouca. Acesso em 04/06/2019.

GASPAR, Lúcia. ANDRÉ REBOUÇAS. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=333. Acesso em: 04/06/2019.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A Idade de Cristo: Estruturas que Transpõem Vales e Gerações

Por Daniel H. Schmidt e Gabriel A. G. Correa


Ego pugnare ad mortem, mea aeterna Roma! (Vou lutar até a morte, minha eterna Roma). De fato, Roma é eterna. As inúmeras heranças deixadas pelo império romano continuam vivas na atual sociedade. Um exemplo desse legado é a arquitetura, mais especificamente os arcos. Essa forma estrutural é bela, eficiente e simples. Sua multiplicação é vista em cascas, cúpulas e abóbadas.

Os romanos, sempre revolucionários, usaram estruturas em arcadas - uma série de arcos - para construir parte de seus aquedutos. Os aquedutos romanos eram construções sofisticadas, e foram construídas com precisão extremamente fina do ponto de vista tecnológico. Na cidade de Roma existiam aproximadamente 416 km de aquedutos. Essa estrutura tinha como principal função fornecer água para as cidades sob domínio romano.

Essa notável rede de distribuição de água atravessava vales e montanhas, seja por meio de túneis ou por exuberantes estruturas arcadas que transpunham vales. Com declividades muito pequenas, pensadas para não erodir seu leito, sequências de arcos sobrepostos, chegavam a ter mais de 30 m de altura e 6 km de extensão. Essas grandiosas edificações eram, na maioria das vezes, executadas com grandes blocos de rocha granítica.

Legenda: Aqueduto dos Pegões, em Tomar, Portugal.
Fonte: aminoapps.com

Os arcos têm como vantagem possuir um momento fletor desprezível em todos os pontos, uma vez que atuam apenas sobre compressão. O problema da estrutura consiste em como absorver o empuxo causado pela tendência de afastamento. 

Uma forma de minimizar essa situação é a construção de arcos com grandes flechas, pois quanto maior a altura do arco, menor essa força de empuxo. Essa análise já era levada em conta nos aquedutos romanos e a absorção do empuxo pode ocorrer de muitas maneiras.

Uma forma eficiente de vencer essa reação é a construção de arcadas, um conjunto de arcos lado a lado, pois os empuxos internos são praticamente iguais e tendem a se cancelar, com isso, quem sofre são apenas os arcos da extremidade. Nos aquedutos, os romanos utilizavam-se de tal ferramenta. Os últimos arcos da estrutura, normalmente, eram apoiados por contrafortes. 

Os aquedutos eram vantajosos pela questão econômica, devido à arcada e a uma propriedade notável do arco: as pedras que o compõem permanecem em equilíbrio devido somente às forças mútuas de contato, sem necessidade, muitas vezes, de argamassa para cimentá-las umas às outras. 
Apesar da baixíssima resistência à tração, as estruturas que chegaram a colapsar não tiveram influência dos momentos fletores positivos. Os dois principais motivos que levaram grandes estruturas arcadas ao chão foram:
a) A ação de forças transversais, sejam causadas por fortes ventos ou sismos. 
b) O rompimento por baixa resistência ao corte em estruturas onde foram usadas matérias cimentadas para ligações das aduelas.
Contudo, é inegável a maestria desse método construtivo romano. Estruturas que perduram há mais de 2000 mil anos com pouquíssimos sinais de deterioração, nos provam que César estava certo: Roma é eterna!

Referências

CAMPELLO, Antônio. Análise Estrutural do Aqueduto dos Pegões através do Método dos Elementos Finitos. Disponível em: https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/28187011370389
2/DISSERTACAO_ANTONIO_CAMPELLO_73109.pdf. Acesso em: 03/06/2019.