quarta-feira, 12 de junho de 2019

A História e o Exemplo de André Rebouças


Por Gabriel Juc Dias

História

Apesar do sobrenome comum que batiza bairros e avenidas, André Pinto Rebouças foi uma das personalidades marcantes que pouco se é comentada em nossa história. André nasceu em 1838. Seu pai, Antônio Pereira Rebouças, era advogado e sua mãe, Carolina Pinto Rebouças, filha de comerciante. A família Rebouças se muda para o Rio de Janeiro em 1846 e os filhos continuam seus estudos. Oito anos depois, André e seu irmão Antônio ingressam no curso de Engenharia Militar pela Escola Central do Exército. Nos anos seguintes os irmãos Rebouças entram como voluntários no Batalhão de Artilharia e, em 1860, recebem o grau de Engenheiro Militar e galões de primeiro tenente. Os irmãos são considerados os primeiros negros brasileiros a cursar uma universidade. 
No ano seguinte recebem bolsas de estudos, prêmios dados para os melhores alunos, e seguem para a Europa, para os cursos de especialização em Engenharia Civil. Permanecem dois anos entre a França e a Inglaterra e ao voltar para o Brasil, André escreve “Memórias sobre os Caminhos de Ferro da França" e junto com o irmão escreve "Estudos sobre Portos de Mar".



André Rebouças
Fonte: Portal Unifei.


  Engenheiros Rebouças

  André serviu como engenheiro na Guerra do Paraguai. Escreveu ainda diversos artigos de cunho técnico, ligados aos diversos ramos da engenharia. Junto ao seu irmão, foi autor do projeto de estrada de ferro Antonina-Curitiba, que serviu de base para o desafiador trecho entre serras da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Também foi autor de projetos de ponte de ferro sobre o rio Piracicaba e da avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro. Ainda na capital fluminense, André se destacou por ser o primeiro a solucionar o problema de abastecimento de água com mananciais fora da cidade.


Campanha abolicionista

André foi um dos mais ativos militantes do movimento abolicionista brasileiro. Esteve a frente da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão e outras diversas sociedades. Venceram no dia 13 de maio de 1888. Com a Proclamação da República em 1889, Rebouças, monarquista, embarca junto com a família real para a Europa e nela se mantém até os últimos dias de sua vida, falecendo em 1896.


Referências

FRAZÃO, Dilva. BIOGRAFIA DE ANDRÉ REBOUÇAS. Disponível em: https://www.ebiografia.com/andre_reboucas/. Acesso em: 04/06/2019.

FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO, ANDRÉ REBOUÇAS. Disponível em http://antigo.acordacultura.org.br/herois/heroi/andrerebouca. Acesso em 04/06/2019.

GASPAR, Lúcia. ANDRÉ REBOUÇAS. Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=333. Acesso em: 04/06/2019.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A Idade de Cristo: Estruturas que Transpõem Vales e Gerações

Por Daniel H. Schmidt e Gabriel A. G. Correa


Ego pugnare ad mortem, mea aeterna Roma! (Vou lutar até a morte, minha eterna Roma). De fato, Roma é eterna. As inúmeras heranças deixadas pelo império romano continuam vivas na atual sociedade. Um exemplo desse legado é a arquitetura, mais especificamente os arcos. Essa forma estrutural é bela, eficiente e simples. Sua multiplicação é vista em cascas, cúpulas e abóbadas.

Os romanos, sempre revolucionários, usaram estruturas em arcadas - uma série de arcos - para construir parte de seus aquedutos. Os aquedutos romanos eram construções sofisticadas, e foram construídas com precisão extremamente fina do ponto de vista tecnológico. Na cidade de Roma existiam aproximadamente 416 km de aquedutos. Essa estrutura tinha como principal função fornecer água para as cidades sob domínio romano.

Essa notável rede de distribuição de água atravessava vales e montanhas, seja por meio de túneis ou por exuberantes estruturas arcadas que transpunham vales. Com declividades muito pequenas, pensadas para não erodir seu leito, sequências de arcos sobrepostos, chegavam a ter mais de 30 m de altura e 6 km de extensão. Essas grandiosas edificações eram, na maioria das vezes, executadas com grandes blocos de rocha granítica.

Legenda: Aqueduto dos Pegões, em Tomar, Portugal.
Fonte: aminoapps.com

Os arcos têm como vantagem possuir um momento fletor desprezível em todos os pontos, uma vez que atuam apenas sobre compressão. O problema da estrutura consiste em como absorver o empuxo causado pela tendência de afastamento. 

Uma forma de minimizar essa situação é a construção de arcos com grandes flechas, pois quanto maior a altura do arco, menor essa força de empuxo. Essa análise já era levada em conta nos aquedutos romanos e a absorção do empuxo pode ocorrer de muitas maneiras.

Uma forma eficiente de vencer essa reação é a construção de arcadas, um conjunto de arcos lado a lado, pois os empuxos internos são praticamente iguais e tendem a se cancelar, com isso, quem sofre são apenas os arcos da extremidade. Nos aquedutos, os romanos utilizavam-se de tal ferramenta. Os últimos arcos da estrutura, normalmente, eram apoiados por contrafortes. 

Os aquedutos eram vantajosos pela questão econômica, devido à arcada e a uma propriedade notável do arco: as pedras que o compõem permanecem em equilíbrio devido somente às forças mútuas de contato, sem necessidade, muitas vezes, de argamassa para cimentá-las umas às outras. 
Apesar da baixíssima resistência à tração, as estruturas que chegaram a colapsar não tiveram influência dos momentos fletores positivos. Os dois principais motivos que levaram grandes estruturas arcadas ao chão foram:
a) A ação de forças transversais, sejam causadas por fortes ventos ou sismos. 
b) O rompimento por baixa resistência ao corte em estruturas onde foram usadas matérias cimentadas para ligações das aduelas.
Contudo, é inegável a maestria desse método construtivo romano. Estruturas que perduram há mais de 2000 mil anos com pouquíssimos sinais de deterioração, nos provam que César estava certo: Roma é eterna!

Referências

CAMPELLO, Antônio. Análise Estrutural do Aqueduto dos Pegões através do Método dos Elementos Finitos. Disponível em: https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/28187011370389
2/DISSERTACAO_ANTONIO_CAMPELLO_73109.pdf. Acesso em: 03/06/2019.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O copo de Pitágoras e sua relação com a Engenharia Civil

Por Letícia Wan-Dall 

O copo de Pitágoras



Se você é estudante de engenharia, deve conhecer um sábio chamado Pitágoras, da Grécia Antiga. O filósofo e matemático fez muitas descobertas e contribuições para as ciências, como o famoso Teorema de Pitágoras, que relaciona o quadrado da hipotenusa de um triângulo retângulo à soma do quadrado de seus catetos.
a² + b² = c²
Contudo, essa fórmula está longe de ter sido sua única grande invenção. Para ensinar a seus discípulos a virtude da moderação, Pitágoras concebeu uma taça de vinho que só pode ser preenchida até certa altura; caso contrário, ela se esvaziará completamente. Batizada de copo de Pitágoras, a invenção funciona a partir de um sifão no meio do copo com dois segmentos, um ligado ao fundo do copo e outro ligado ao pé do copo. Quando a coluna do líquido ultrapassa a altura do sifão, a ação da gravidade empurra todo o conteúdo do copo para fora, conforme mostrado na figura 1.


Legenda: Esquema do funcionamento do Copo de Pitágoras
Fonte: gluon.com.br



No vídeo a seguir, podemos observar o processo do copo se esvaziando.

O que o copo de Pitágoras e a engenharia civil têm em comum?


Ambos utilizam uma ferramenta chamada sifão. O sifão é uma ferramenta para transportar um fluido somente utilizando a gravidade e uma diferença de pressão. Na engenharia civil, os sifões são amplamente utilizados em tubulações, pias e lavatórios a fim de evitar que gases retornem para o ambiente, evitando o mau cheiro. Além disso, o sifão auxilia na manutenção dessas tubulações, por acumular sólidos que poderiam causar entupimento. Existem vários tipos de sifão, como podemos observar na figura 2, cada um com uma funcionalidade. O sifão é uma das várias ferramentas da hidráulica que contribuem para grandes invenções da engenharia civil.


Legenda:Tipos de Sifão

Fonte: www.astra-se.com.br



Referências



Autor desconhecido. Copo de Pitágoras. Ciências e Engenharia, 2017. Disponível em: https://cientificaengenharia.blogspot.com/2017/02/copo-de-pitagoras.html. Acesso em: 16 de maio de 2019.

PEREIRA, Caio. O que é Sifão?. Escola Engenharia, 2018. Disponível em: https://www.escolaengenharia.com.br/sifao/. Acesso em: 16 de maio de 2019.



sexta-feira, 3 de maio de 2019

Do Conceito para a Ação: O VI CONPET Civil como Motivador da Inovação na Educação Tutorial

Por Fernanda Gomes Goes

A inovação, que por definição significa criar algo novo, é um conceito grandemente discutido e pouco aplicado na sociedade atual. Isso acontece porque a palavra “inovar”, em muitos casos, remete a coisas grandiosas e, principalmente, que envolvem tecnologia. O problema desse pensamento é encarar o ato de fazer algo novo como algo distante e esquecer de olhar as atividades que realizamos em nosso cotidiano como uma oportunidade de mudar.
O VI Congresso Nacional dos Grupos PET de Engenharia Civil (CONPET Civil) aconteceu  do dia 19 a 21/04/2019, em Porto Alegre - RS e teve como tema norteador: “O PET como Articulador de Inovação na Educação Tutorial”. O evento contou com 105 participantes de todas as regiões do Brasil, e o PET Engenharia Civil da UFPR foi representado por 8 participantes, sendo 6 membros atuais e 2 egressos.

Legenda: Integrantes do PET Engenharia Civil UFPR 
Fonte: Organização do VI CONPET Civil

O CONPET, que tinha como objetivo discutir o papel do PET na inovação, nos trouxe um olhar muito mais global sobre o impacto que podemos causar de forma individual e conjunta na sociedade. As atividades mostraram que a inovação vai muito além de descobertas científicas e que pode ser realizada nas menores ações do nosso dia.
As atividades realizadas durante o evento possibilitaram momentos de discussão e reflexão sobre o papel da Engenharia na sociedade, como podemos contribuir dentro da Universidade e pequenas atitudes que podem ser diferenciais, como pode ser vista na programação do evento da figura 2. Também houve momentos de troca de experiências entre os grupos através de apresentação de trabalhos previamente submetidos, onde o PET Engenharia Civil UFPR, representado pelas PETianas Náthali Beithum Giacomini e Nathany Cilli de Oliveira, apresentaram o trabalho intitulado  “O uso de edificações históricas para o ensino de estruturas” , disponível para leitura em: http://petcivil.blogspot.com/p/trabalhos-publicados.html

Legenda: Programação do VI CONPET Civil 
Fonte: Site do VI CONPET (https://www.ufrgs.br/viconpetcivil/programacao/), 2019

As palestras e discussões proporcionadas trataram de temas que deveriam ser do nosso cotidiano, como: a acessibilidade na Engenharia, a nossa função perante as pessoas, a contribuição que devemos dar para a universidade, entre outros; mas que durante o tempo que permanecemos no curso são pouco ou nada abordados, o que é problemático, pois pouco adianta um grupo de engenheiros com alta capacitação técnica sem saber o impacto que irá causar ou como utilizar esse conhecimento de forma que traga um benefício real para as pessoas.
O tema inovação foi trazido evidenciando que um engenheiro deve agir além do tecnicismo, mostrando uma característica que pode ser o diferencial nas próximas gerações de engenheiros, pensando de forma humana e crítica em relação com o meio social e ambiental.
Assim, percebeu-se que o formato atual de ensino da Engenharia nas universidades está longe de ser completo e proporcionar a formação que realmente necessitamos, para isso temos a sorte de ter grupos que complementam a nossa experiência e o PET está incluso nisso.
Ainda há muito para discutir sobre a complexidade da Engenharia Civil, por isso é de extrema importância a continuidade de tais eventos - JOPARPET, CONPET, SULPET e ENAPET - para a discussão contínua de melhoria no âmbito profissional. E, portanto,  agradecemos a organização do VI CONPET Civil (PET Civil da UFRGS) por trazer esse tema tão relevante em um evento muito bem organizado. E agradecemos também aos participantes de todas as regiões do país, que tornaram as nossas discussões muito mais ricas, e por toda a integração que tivemos.
A candidatura do VII CONPET Civil ocorreu no último dia do evento e será organizado pelo PET Civil UFPA, em Belém - PA.

Nos vemos no VII CONPET Civil !!

Legenda: Foto oficial do evento
Fonte: Organização do VI CONPET Civil



sexta-feira, 19 de abril de 2019

A História da Catedral de Notre-Dame

Por Ana Borges

Atualmente, a Catedral de Notre-Dame é um dos principais pontos turísticos da França e é um local que foi palco de uma série de acontecimentos importantes da história francesa e mundial. Tragicamente, foi atingida por um incêndio em 2019, que danificou bastante a sua estrutura.

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Legenda: Vista frontal da Catedral de Notre-Dame
Fonte: Vix.com

Origem

Com o objetivo de construir uma catedral maior para a cidade de Paris, o bispo Maurice de Sully decidiu, em 1163, iniciar uma obra no novo estilo arquitetônico da época, o gótico, que daria origem para a Catedral de Notre-Dame. O local escolhido foi onde já havia uma antiga catedral, na Ile de La Cité, uma pequena ilha localizada no meio do rio Sena. O novo santuário foi batizado com o nome de Notre-Dame em homenagem à Virgem Maria, mãe de Jesus.
A estrutura básica da catedral foi construída em 182 anos, e no século XIII já podia ser frequentada. No século XIV algumas adequações foram feitas, como o alargamento dos braços dos transeptos e a instalação de contrafortes no coro. Infelizmente, o nome dos arquitetos que iniciaram a construção foram perdidos.
Ao longo da história, os propósitos da Catedral foram modificados. Durante a Revolução Francesa, as missas da Igreja Católica foram deixadas de lado para dar lugar a um tempo que abrigava o Culto à Razão, e posteriormente, o Culto do Ser Supremo. Ambos surgiram no período revolucionário, sendo o primeiro deles uma exaltação do homem e do seu conhecimento. O segundo foi uma nova religião estabelecida por ordem de Robespierre, líder dos jacobinos. Depois que os jacobinos foram derrubados e Robespierre guilhotinado, o culto ao Ser Supremo foi abandonado. Nesses períodos, Notre-Dame servia como depósito para suprimentos.
A partir de 1801, quando Napoleão Bonaparte governava a França, a catedral voltou a ser utilizada como uma igreja católica, e sua primeira missa depois da revolução ocorreu em 18 de abril de 1802. Inclusive, Notre-Dame foi escolhida por Napoleão para o local de sua coroação como imperador da França em 1804.

Legenda: Pintura 'Coroação de Napoleão', do artista francês Jacques-Louis David, de 1807, retratando a cerimônia na catedral de Notre-Dame.

No século XIX, a catedral se encontrava em péssimo estado de conservação e sua derrubada estava sendo debatida. Foram feitos planos pelas autoridades para que as pedras de Notre-Dame fossem utilizadas para a construção de novas pontes. A catedral só não foi derrubada porque em 1831, o famoso escritor Victor Hugo escreveu “Notre-Dame de Paris”.
O romance tinha Notre-Dame como cenário principal, e além de denunciar o estado que a catedral se encontrava para o mundo inteiro, tinha também uma crítica à indiferença da elite, utilizando personagens margilizados (como ciganos e deficientes). A obra apresenta o personagem Quasímodo, que se apaixona pela cigana Esmeralda.
Ao contrário dos ideais burgueses, Notre-Dame servia também de abrigo para os excluídos da sociedade. O sucesso do livro foi tão grande que o rei Luís Filipe I ordenou a restauração da catedral em 1844. Em 1966, a Disney fez uma adaptação animada no livro de Victor Hugo.

Legenda: Animação “O Corcunda de Notre-Dame”.
Fonte: UOL.

Curiosidades

É claro que quando uma Catedral tem mais de 850 anos, ela possui uma história repleta de curiosidades, e algumas delas iremos contar aqui:
·       Como já foi comentado, existiu outra catedral no local onde fica Notre-Dame, mas além disso, os historiadores encontraram evidências de que no mesmo lugar existiu um templo romano em homenagem a Júpiter. Escavações também revelaram que no local havia uma cidade romana chama Lutécia;
·   Parte das escavações deram origem a um museu, a Cripta Arqueológica, que podia ser visitada nos subterrâneos da Notre-Dame, indicando como era a vida no Império Romano; 
·     Marco Zero está localizado na frente da fachada da parte ociental da construção, na praça Parvis. Ele é feito em uma placa de bronze, que simboliza o marco inicial com que se calcula as distâncias das estradas do país;
·    A edificação possui 200 vitrais, e alguns deles são considerados os maiores já construídos no mundo;

Legenda: Vitrais da Catedral.
Fonte: Vix.com

·        A catedral recebe aproximadamente 13 milhões de visitantes por ano, o dobro do número de turistas que vem para o Brasil anualmente; 
·      Mesmo antes de terminada, a obra em construção já atraía cavaleiros medievais que, durante as Cruzadas, iam ao local rezar e pedir proteção antes de partir para o Oriente.

Incêndio, perdas e reconstrução

A falta de cuidados com Notre-Dame levou a sérios debates a respeito de sua reforma. Nem o governo francês nem a Igreja Católica francesa queriam assumir os custos de reformar a catedral. Assim, em 2018 houve um pedido de doações para que a reforma fosse realizada.

Legenda: Resultado do incêndio na Catedral.
Fonte: Jornal O Globo

No dia 15 de abril de 2019, um incêndio proveniente das reformas tomou a catedral. Os danos foram consideráveis, mas felizmente menores que o esperado. O fogo começou pouco depois do término do horário de visitação.
No momento, doações do mundo inteiro estão sendo feitas para a reconstrução da Catedral. Segundo a imprensa francesa, elas já somam mais de 900 milhões de dólares. O presidente da França, Emmanuel Macron, se comprometeu a reconstruir a catedral em cinco anos, quando Paris sediará os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão.

Legenda: Consequências do incêndio.
Fonte: BBC News

Referências

CATEDRAL DE NOTRE DAME. Disponível em: https://www.tudosobreparis.com/catedral-notre-dame/ Acesso em: 18/04/2019.
CATEDRAL DE NOTRE-DAME DE PARIS. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Notre-Dame_de_Paris Acesso em: 18/04/2019.
CATEDRAL DE NOTRE DAME. Disponível em: https://www.infoescola.com/franca/catedral-de-notre-dame/ Acesso em: 18/04/2019.
DOAÇÕES PARA RECONSTRUÇÃO DE NOTRE-DAME SOMAM US$ 900 MILHÕES. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2019-04/doacoes-para-reconstrucao-de-notre-dame-somam-us-900-milhoes Acesso em: 18/04/2019.
HISTÓRIA DA CATEDRAL DE NOTRE DAME. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia/historia-catedral-notre-dame.htm Acesso em: 18/04/2019.
INCÊNDIO EM NOTRE-DAME: OS PRINCIPAIS FATOS HISTÓRICOS SOBRE CATEDRAL TOMADA PELO FOGO EM PARIS. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-47941953 Acesso em: 18/04/2019.
INFOGRÁFICO: A CATEDRAL DE NOTRE-DAME, EM PARIS. Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/infografico-a-catedral-de-notre-dame-em-paris/ Acesso em: 18/04/2019.
sexta-feira, 12 de abril de 2019

Kit Estrutural Mola II e sua arrecadação em 2018


Por Gabriel Henrique Simões Yagnycz

Kit Estrutural Mola I e a arrecadação em 2014

O Kit Estrutural Mola é uma ferramenta didática-tátil-visual criada pelo arquiteto Márcio Sequeira de Oliveira durante seu mestrado. Ele é muito útil quando o assunto é estudo de comportamento estrutural, pois com ele é possível visualizar como a aplicação de cargas modificam a estrutura, causando flambagens, torções e até mesmo o rompimento da estrutura. Tudo isso acontece tridimensionalmente e nas mãos do estudante, ajudando quem tem dificuldade de visualizar tais deformações na explicação tradicionais, com imagens bidimensionais  no quadro ou na projeção.

Legenda: Demonstração de uma deformação com o Kit Estrutural Mola
Fonte: Autor

Após desenvolver e amadurecer a ideia, o Márcio percebeu que não conseguiria produzir o kit por questões financeiras. Então, em 2014 ele publicou seu protótipo em um site de financiamento coletivo, o Catarse, com o objetivo de divulgar sua invenção e conseguir interessados em ajudá-lo a tornar realidade um sonho. Em questão de semanas a meta foi alcançada e após alguns meses já tinha o triplo do valor inicial desejado.
Nessa mesma época, o PET Engenharia Civil UFPR ficou sabendo da existência da ferramenta e concluiu que seria de grande ajuda para o ensino de estruturas dentro da universidade. Então, lançaram uma campanha de financiamento internamente com o objetivo de comprar 10 kits, no valor de R$ 3.500,00, e com a ajuda de alunos e professores alcançaram a marca em apenas 2 semanas. Tal compra garantiu que o próprio criador viesse entregar os kits em mãos e ministrasse um curso para os docentes e petianos interessados na ferramenta.

Legenda: Recebimento dos Kits em 2015
Fonte: PET Engenharia Civil UFPR

Mola II e os desafios de 2018

Em 2016 é anunciado e lançado pelo mesmo método de financiamento coletivo o Kit Estrutural Mola II e seus complementos, que tinha um viés de abordar outras áreas que o primeiro não era suficiente, como grelhas e deformações em pilares contínuos. Além disso, foram lançados dois complementos: Ligações Super Leves, permitindo estruturas mais altas, e Barras de Comprimento Extensível, personalizando completamente o kit e aumentando suas possibilidades. Porém, o grupo da época achou muito cedo para tentar obter a nova ferramenta para a universidade, pois as atividades com o Mola I estavam recém ingressando nas disciplinas de estruturas.
Durante o planejamento do ano de 2018 os petianos chegaram a conclusão que o novo kit era necessário na universidade, considerando que as atividades com o primeiro que já estavam consolidadas durante seus 2 anos de aplicação nas matérias mais básicas, como Mecânica Geral, Introdução à Engenharia, Resistência dos Materiais e em outros cursos, como Arquitetura e Urbanismo.

Legenda: Aplicação do Kit Estrutural Mola I em Introdução à Engenharia
Fonte: PET Engenharia Civil UFPR

O plano inicial era o mesmo de 2014, obter 10 Kit Estrutural Mola II e 10 complementos de cada, através da ajuda de alunos e professores. Porém, o total era mais que o dobro da arrecadação anterior: R$ 7.570,00. Muito animados e determinados em conseguir os kits para a universidade o grupo se instalou em turnos específicos nos corredores do bloco PF no Centro Politécnico, visando conseguir doações dos que passavam. Infelizmente, em 1 mês alcançamos apenas 16,64% da nossa meta, o que nos levou a buscar contato com outras formas de conseguir auxílio.
O primeiro contato com uma entidade ocorreu através da Professora Isabella Chaves, docente do Departamento de Construção Civil e coordenadora do Laboratório de Estruturas. Ela sugeriu a utilização de um fundo que a Pró-reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (PROPLAN) dispõe para investir em projetos de ensino, pesquisa e extensão na UFPR. O Fundo de Desenvolvimento Acadêmico, no nosso caso, poderia nos ajudar com até R$ 30.000,00 para compra do que achássemos necessários. Através do preenchimento do formulário de Fluxo Contínuo Tipo A demos início ao processo.
Entretanto, havia mais alguns documentos que precisaríamos entregar. Normalmente é solicitado três orçamentos para comparação de preço, mas o Mola é algo exclusivo da marca e não possui concorrentes no mercado. Por isso, foi necessário entregar o orçamento padrão, carta de exclusividade do produto, carta que explicasse o método de entrega, entre outros. No fim, havíamos solicitado todo o valor da campanha, mas fomos contemplados com uma quantia que possibilitou a compra de 7 Kits Estrutural Mola II e 6 complementos de cada, totalizando R$ 5.021,00.
Nosso segundo contato foi com o professor Mauro Lacerda do Escritório Modelo de Engenharia (EMEA). O professor de disponibilizou para solicitar através da Fundação da Universidade Federal do Paraná (FUNPAR) 5 Kits Estrutural Mola II e 5 complementos de cada. Felizmente, nossa solicitação foi atendida!
 
Recebimentos e aplicações

Mesmo conseguindo fazer a compra com a ajuda dos professores citados anteriormente, há muita burocracia envolvida. Os comprados pelo FDA devem possuir patrimônio da universidade, então ainda não conseguimos retirá-los. Felizmente os que foram adquiridos pela FUNPAR já foram retirados e aplicados em sala de aula. Além de estarmos desenvolvendo atividades para diversas matérias, como Resistência dos Materiais II, Estruturas Metálicas, Mecânicas das Estruturas I e II, entre outras.

Legenda: Recebimento dos kits do EMEA
Fonte: Escritório Modelo de Engenharia

Legenda: Aplicação do Kit Estrutural Mola II em Estruturas Metálicas
Fonte: Autor

Por fim, conseguimos arrecadar 12 Kits Estrutural Mola II e 11 complementos de cada, mas cada entidade permaneceu com 1 Kit e 1 complemento de cada para uso interno. Portanto, conseguimos 10 kits e 9 extensões para serem aplicadas em sala de aula. Com relação ao dinheiro arrecadado com a ajuda dos alunos e professores, ainda estamos estudando o qual finalidade será dada a ele, mas somente utilizaremos para gastos relacionados ao Kit Estrutural Mola e o restante será devolvido à comunidade.

quinta-feira, 28 de março de 2019

O uso de Energia Renovável

Por Nathany Cilli

Energia renovável, energia alternativa ou energia limpa são três nomes usados para qualquer tipo de energia que use fontes renováveis e que não geram grandes impactos negativos ambientais, ou seja, toda energia proveniente de uma fonte que se renova naturalmente de forma cíclica, que estão sempre disponíveis para a utilização e não se esgotam, produzindo menos CO2 para a atmosfera.
Com a evidência do desequilíbrio entre o desenvolvimento econômico e o meio ambiente, muito tem se falado em utilização de energia renovável, fazendo com que essa discussão chegue ao ponto máximo de que todos os países do globo, usufruem dessa energia. Além de contribuir para a poluição, algumas fontes de energia utilizadas atualmente são de difícil acesso, geram degradação ambiental e também tem muitos riscos em seu processo de transformação.
O Brasil possui uma matriz energética predominantemente renovável. O restante do planeta possui essa matriz com base em combustíveis fósseis sendo energias renováveis, incluindo a energia hidráulica.

Figura 1- Matriz energética brasileira e do mundo
Fonte: MME/BEN(2006)


Tipos de Fontes de Energia Renováveis e sua Utilização

Energia Solar

É o recurso natural mais abundante e com maior disponibilidade em todo o planeta, a luz do sol. Os raios solares podem ser usado de forma direta, para aquecimento de água, ou de forma indireta, produzindo energia elétrica por meio do uso das células fotovoltaicas(transformação da radiação solar em energia elétrica por meio de placas que ficam expostas sob a luz do sol)

Figura 2- Placas fotovoltaicas

Energia Eólica

Por meio de turbinas, a força dos ventos é convertida em energia mecânica e, posteriormente, em energia elétrica. Hoje em dia, novas tecnologias têm sido estudadas, tornando as turbinas mais eficientes. A emissão de CO2 dessa fonte de energia alternativa é mais baixa que a da energia solar e é uma opção para o país não depender somente das hidrelétricas.

Figura 3- Parque Eólico
      Fonte: https://www.portal-energia.com/vantagens-desvantagens-da-energia-eolica/

Biomassa

É a geração através da queima de materiais orgânicos, derivada de plantas ou de animais, como o bagaço da cana-de-açúcar, álcool, madeira, palha de arroz, óleos vegetais, entre outros. Embora a queima desses materiais libere gases poluentes na atmosfera, ela é considerada uma forma limpa de geração devido ao fato que essa quantidade de CO2 é absorvida no cultivo desses materiais, zerando os impactos ambientais. A biomassa pode ser uma das grandes fontes de energias renováveis se for cultivada de maneira sustentável, ou pode ser uma grande destruidora se manejada de forma incorreta.

Figura 4- Biomassa
Fonte: https://tnpetroleo.com.br/noticia/novas-energias-biomassa-deve-ser-mais-valorizada-com-reforma-do-setor/

O Brasil é uma referência na comunidade internacional em utilização de fontes de energia renováveis.

O Brasil se tornou um grande exemplo de utilização de energias renováveis no mundo inteiro e essa conquista se deve a soma de diversos fatores. O Brasil consegue combinar políticas públicas de incentivo e estímulo a pesquisas de novas tecnologias de fontes renováveis e ao mesmo tempo dispõe de um imenso território com riquezas naturais com grande potencial.
Em 2016, 43,5% de nossa matriz energética era composta de fontes de energia renováveis, enquanto a média mundial era de 14,2%.

Figura 5-Energias Renováveis: Resenha Energética Brasileira 2016
Fonte: MME

Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), o Brasil é o terceiro maior gerador de energias renováveis, que são aquelas que não liberam resíduos ou gases poluentes na atmosfera, assim como o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica em relação ao mundo. As hidrelétricas usufrui do maior porcentual de energia produzido pelo país. Essas usinas geram eletricidade pelo movimento da água de rios, seja por desníveis naturais ou por outros criados artificialmente.
A segunda principal fonte mais usada no país não é limpa, são as usinas termelétricas, que podem ser movidas por gás natural, bagaço de cana e combustíveis fósseis. Mas a tendência é que, nos próximos anos, ela seja ultrapassada pela eólica.

 O uso da energia renovável na construção civil

Apesar da construção civil ter uma grande importância para que o país se desenvolva, sendo uma das principais fontes de crescimento da economia, ela também é considerada um dos setores que mais impactam negativamente o meio ambiente, principalmente por causa dos recursos naturais, sendo responsável por 8% do total de emissões de gases do efeito estufa.
Contudo, o ramo de energias renováveis vem sendo avaliado com bons olhos podendo ser um grande aliado para diminuir os impactos causados pela construção civil. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética(EPE), o uso de renováveis passou de 39,4% para 41,2% em 2015. A energia eólica, obteve uma variação de 2% para 3,5 e a energia solar de 0,01% também em 2015..
Pode-se citar como destaque, os painéis fotovoltaicos provenientes da energia solar, que estão cada vez mais aumentando seu uso nas edificações, justamente por causa da redução de custos e da sustentabilidade. Um dos principais motivos da utilização de energia solar é o fato dela ser renovável, e pela localização em que o Brasil se encontra, onde a alta incidência dos raios solares, que são abundantes e sem custo, proporcionam um forte potencial para a geração de energia.
Com isso, é inegável que a energia solar torna o empreendimento mais sustentável, assim como qualquer outro tipo de energia renovável. Tudo isso pode ser implementado e integrado na construção civil, evitando grandes danos agressivos à natureza.

Referências

O mercado da Construção Civil. Disponível em: http://blog.alsolenergia.com.br/2017/12/construcao-civil-energias-renovaveis/. Acesso: 23/03/2019
Fontes de Energia Renováveis. Disponível em: https://blog.bluesol.com.br/fontes-de-energia-renovaveis/. Acesso: 23/03/2019
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