quinta-feira, 28 de maio de 2020

Como é um túnel submerso?


Por Maria Gabriele Sobral 

Com o passar do tempo a quantidade de meios de transportes foi aumentando junto com o crescimento populacional, consequentemente a necessidade de transformar ruas, pontes e qualquer outro mecanismo utilizado para a locomoção é inevitável devido a demanda.  
Os túneis submersos são construções de grande porte que ficam embaixo da água e possibilitam a passagem de veículos, pessoas ou cargas. Seu objetivo principal é diminuir distâncias percorridas quando o fluxo de água se torna um empecilho.  
Em 1802, surgiu uma ideia de conectar a Inglaterra e França, pois entre esses dois países está localizado o estreito de Dover no Canal da Mancha. O projeto inicial do engenheiro Albert Mathieu era a travessia de carruagens, com uma ilha no centro para troca dos animais por causa do cansaço, porém os ingleses foram contra por medo de invasões inimigas. O projeto por muito tempo ficou em discussão, mas foi no ano de 1994 em que o Eurotúnel também conhecido por “Túnel da Mancha” finalmente foi concluído  
São três linhas paralelas, onde cada um tem uma finalidade (veículos/passageiros/carga). Sua extensão é de 50,45 quilômetros, no entanto, somente 37,9 quilômetros estão embaixo da água e a obra custou aproximadamente 16 bilhões de dólares.  
              Representação do Eurotúnel
              Fonte: viagensimagens.com 




Caminho do Eurotúnel 
Fonte: ebc.com.br 

Essas estruturas podem vir a ser muito benéficas em diversos pontos, como economia de tempo e combustível, diminuição de emissão de poluentes, melhorar o fluxo de veículos, sem poluição visual já que a paisagem natural será preservada, além de estimular o turismo, pois o tráfego de pessoas será maior. 



Referências 
ROCHA, ERICK. Túneis Submersos. Disponível em: https://bit.ly/2XEn7nv. 
BUENO, Chris. Turquia inaugura maior túnel submerso do mundo; Brasil também terá o seu, ligando Santos ao Guarujá no litoral paulista. Disponível em: https://bit.ly/3gurpGM. 
PRESSE, France. Turquia inaugura túnel sob o Estreito de Bósforo, que liga Ásia e Europa. Disponível em: https://glo.bo/36H8h42  

CERQUEIRA, Wagner. FranciscoEurotúnel. Disponível em: https://bit.ly/2Al0qg4 
VASCONCELOS, Yuri. Como foi construído o Eurotúnel?. Disponível em: https://bit.ly/36C31ys 
CERQUEIRA, Wagner. FranciscoEurotúnel. Disponível em: https://bit.ly/2AfE3sI 
sexta-feira, 24 de abril de 2020

Como a água não congela nas tubulações em países frios?


Por Felipe Pizatto

     Não é nenhuma novidade que a água congela quando a temperatura fica abaixo dos 0 ºC, também sabemos que em vários lugares no mundo a temperatura no inverno fica muito abaixo disso. Então como a água não congela dentro das tubulações nos países mais frios?

Representação de uma tubulação congelada
Fonte: Home Comfort Experts

Frost Depth

     Quando as temperaturas ficam abaixo de 0º Celsius alguns reservatórios de água e rios podem congelar e interromper o abastecimento. De forma a resolver esse problema as estações de tratamento de água realizam o tratamento em ambientes internos onde a água é aquecida a uma temperatura entre 1 e 3 graus Celsius, e então é distribuída.
    Mas para entender como a água não congela nas tubulações de distribuição de água, é necessário entender um outro conceito, a frost depth (que pode ser traduzido como profundidade de congelamento). A frost depth é uma profundidade em relação a superfície na qual o solo está congelado, já abaixo dessa profundidade a temperatura do solo é maior que 0º Celsius.
    Para não ocorrer o congelamento da água que está nas tubulações, elas são construídas abaixo dessa profundidade, que pode ser calculada utilizando algumas variáveis como: densidade do solo, umidade do solo, condutibilidade térmica do solo, inércia térmica, calor latente, índices de congelamento e descongelamento e índices de congelamento do ar e superfície.


Mapa das linhas de congelamento nos Estados Unidos
Fonte: Hammerpedia

Mais aplicações

     O conceito da profundidade de congelamento e sua determinação são mais utilizados em países com temperaturas muito baixas e afetam algumas áreas da Engenharia Civil. Os tubos de distribuição de água são instalados abaixo da profundidade de congelamento para evitar esse problema, porém em alguns casos onde não é possível fazer a instalação em tais profundidades outra solução adotada é o aquecimento dos tubos e/ou isolamento térmicos dos mesmos. Porém são soluções mais caras, já que contam com um custo adicional, por isso são utilizadas apenas em casos onde não há a possibilidade de se realizar escavações mais profundas, seja por conflito com serviços públicos ou leito rochoso mais raso.
    Além do problema em tubulações, o congelamento da água pode afetar outros elementos da Engenharia Civil, como as fundações. Isso está relacionado com outro fenômeno causado pelo congelamento da água o frost heave (elevação de congelamento). O frost heave é a elevação do solo causada pela expansão da água presente no mesmo durante o congelamento. Tal elevação poderia danificar a estrutura das edificações, para evitar esse problema as fundações são construídas abaixo dessa profundidade.

Representação do Frost Heave

Congelamento de solo no Brasil

     Até agora foi falado bastante em congelamento do solo em outros países, mas esse fenômeno também ocorre no Brasil. No nosso país o congelamento ocorre com frequência e intensidade muito menores que em outros países e tem um impacto muito menor na vida das pessoas.
    No país o fenômeno acontece principalmente no sul do Brasil, especialmente na serra do mar e ocorre em poucos dias no ano. Apesar de não afetar a distribuição de água ou fundações como em países mais frios, o congelamento da água contribui com o intemperismo do solo e das rochas. Esse processo se dá pelo ciclo de congelamento e descongelamento da água infiltrada, que quando congela no interior da rocha, gera tensões e provoca a ruptura da mesma.

Referências


Frost line. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Frost_line. Acesso em: 01/10/2019

sexta-feira, 20 de março de 2020

Inserção da tecnologia BIM na matriz curricular dos cursos de Engenharia Civil

Por Gabriel Paula Soares

O desenvolvimento de novas tecnologias é cada vez mais recorrente no mercado profissional. A cada geração são criadas novas formas de solucionar os problemas rotineiros, o que pode ser muito bom para o desenvolvimento sustentável da sociedade - mas, para que tais tecnologias sejam implementadas otimamente, deve haver um planejamento estratégico com pessoas especializadas no assunto.
Na área da engenharia civil não é diferente. Até o século XX, os projetos construtivos eram realizados à mão, trazendo dificuldade aos projetistas para a leitura e para a integração de projetos. Com a invenção do computador, surgiram softwares que imitavam a forma de projetar à mão - facilitadores do desenho - como o AutoCAD; essa tecnologia encontrou resistência em seu início, mas no decorrer do tempo ela ganhou o espaço dos desenhos à mão. Hoje, não existe empresa de engenharia que realize seus projetos da maneira primordial.
Entretanto, o desenvolvimento tecnológico não parou por aí - ao contrário, ele cresceu de maneira exponencial. Com isso, surgiram formas mais eficientes de se projetar. Nesse âmbito, o que há de mais moderno hoje é a tecnologia BIM.

O que é BIM?

BIM é uma tecnologia de modelagem de projetos, cuja inovação está na automação do uso da informação. Com ela, atribui-se valores e informações aos elementos de projeto, tornando a tomada de decisões muito mais precisa e facilitando a leitura em obra; além disso, o BIM pode simular e compatibilizar várias soluções para um mesmo problema.


BIM 7D

O BIM pode ser utilizado em até 7 dimensões. As três primeiras são as espaciais (largura x comprimento x altura), uma vez que a representação da construção é em três dimensões. Cada uma das restantes representa uma função BIM:
  • 4D: análise temporal da obra;
  • 5D: análise quantitativa do material e dos custos;
  • 6D: análise de sustentabilidade;
  • 7D: gestão e manutenção da obra;
A partir disso, entende-se o BIM como uma ferramenta completamente inovadora de gerenciamento de projetos; numa obra sem o BIM, cada uma das funções acima seriam executadas por diversas ciclos de trabalhos diferentes. A  grande vantagem do BIM é a diminuição de fluxos de trabalho, trazendo economia à empresa contratante e aumentando a qualidade final da obra. 

Paradigma BIM

Como já foi citado anteriormente, é natural que novas tecnologias encontrem barreiras em seu período de implantação. No caso, o BIM encontra resistência da comunidade devido ao alto custo (monetário e temporal) de profissionalização do gerente de projetos, ao alto preço cobrado periodicamente pelas empresas de software, e também devido ao fato do mercado já estar adaptado às tecnologias anteriores.
Sendo assim, cabe ao governo proporcionar uma condição favorável para implantação dessa tecnologia, favorecendo start-ups que utilizam o BIM ou realizando acordos com as empresas de software BIM. Cabe também às universidades proporcionarem atividades de ensino a respeito do BIM, integrando-o às disciplinas vigentes ou ainda reformando a matriz curricular. Mesmo que seja muito difícil um estudante se formar na graduação como um gerente de projetos, é importante que ele já esteja familiarizado com alguns aspectos do BIM ao entrar no mercado profissional.

BIM no Brasil

Nesse contexto, o Brasil caminha lentamente para a inserção integral do BIM em seu mercado. Em 2018, o governo Temer assinou um Decreto a respeito de metas e prazos para implementação da tecnologia. Entretanto, não realizou acordos com empresas de software ou cursos profissionalizantes em BIM, algo que poderia ser importante.


Resultado de imagem para public speaking
Ex-presidente Temer assinando o Decreto n° 9377

Além disso, no que se diz integração do BIM nos cursos de graduação, estamos ainda mais defasados. Muitos currículos limitam-se ao CAD, ou apenas introduzem o aluno ao paradigma BIM. Mesmo assim, dentro dessas mesmas universidades - no meio científico-analítico - há o consenso de que a experiência BIM é necessária para a formação do engenheiro moderno, além de derrubar paradigmas culturais que impedem a inovação no ramo da Engenharia Civil.

Percepção dos professores quanto ao ensino do BIM

Foi realizada uma pesquisa com os professores das disciplinas de um curso de graduação em Engenharia Civil no estado de São Paulo, para compreender suas percepções quanto à introdução do BIM no currículo.
Primeiramente, a pesquisa indicou que a maioria dos professores estão a mais de 20 anos atuando no Ensino Superior. Mesmo assim, a grande maioria conhece o BIM, mas não o ensina. Apenas 37% fariam mudanças nas disciplinas para incluir o BIM, e a maior parte deles precisaria de auxílio para isso. 
Para os respondentes, itens que seriam necessários para a implementação do BIM na ementa seriam: (a) apoio de colegas; (b) apoio do departamento; (c) apoio dos revendedores de softwares e de empresas; (d) mudanças nas ementas, quanto a conteúdos e metodologia.
Quanto ao ano a ser implementado, os professores tenderam a preferir o primeiro ano. Quando indagados a respeito dos obstáculos de introduzir o BIM no currículo, a maioria dos professores considera que o ensino em BIM não prejudica o pensamento criativo, e também que as universidades já têm potencial de trabalhar em BIM; para eles, a logística de introduzir o BIM no currículo é o mais complicado nessa questão.

Estratégias de inserção do BIM no currículo de Engenharia Civil

Primeiramente, deve-se estar claro que não há “receita de bolo” para inserir o BIM num currículo de Engenharia Civil. O processo é completamente analítico, e cada curso tem suas prioridades e suas particularidades. Mesmo assim, algumas pesquisas foram feitas nesse respeito, e algumas estratégias podem ser citadas.
De acordo com Barison (2006), deve-se inicialmente identificar as disciplinas com potencial BIM. Após, deverá haver uma discussão sobre o currículo. Por fim, propõe-se a utilização do BIM em matérias já existentes. Barison também cita outras sugestões no processo de implantação do BIM:
  • Investir na capacitação de professores e de monitores para utilizarem o BIM;
  • Desenvolver projetos de iniciação científica em BIM;
  • Trabalhar em conjunto com empresas de Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação (AECO);
  • Capacitar laboratórios;

Já Checcucchi (2014) propõe o ensino do BIM a partir da integração das disciplinas com conhecimentos relativos ao BIM. Além disso, a autora cita um método de aprendizagem ativa (PBL). Com ele, estimula-se a integração de conhecimento e integram diversas virtudes profissionais, além de levar o aluno como principal personagem da própria formação; ele se opõe aos métodos tradicionais de ensino, nos quais as aulas são baseadas em explanação teórica, exemplificação e realização de exercícios. 
A autora conclui que o PBL é o método ideal para trabalhar-se com o contexto BIM, uma vez que valoriza o desenvolvimento de competências acima da construção de conhecimentos, proporciona ao aluno uma visão abrangente de uma questão e permite que os alunos lidem com questões atuais, abertas e complexa. 

Portanto, compreende -se a necessidade dos cursos de Engenharia Civil incluírem o BIM em sua matriz curricular. Essa tecnologia, que é considerada o futuro da construção civil, está cada vez sendo mais valorizada pelas construtoras, e por isso deve ser introduzida e desenvolvida já na graduação.  Entretanto, para haver essa inserção curricular, uma análise deve ser feita por especialistas, sempre considerando as particularidades de cada curso e consultando os professores vigentes.

Referências 

Introdução de Modelagem da Informação da Construção (BIM) no currículo – uma contribuição para a formação do projetista  (Barison, 2015)

ENSINO-APRENDIZAGEM DE BIM NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL E O PAPEL DA EXPRESSÃO GRÁFICA NESTE CONTEXTO (Checcucchi, 2014)

Acesso em 11/03/2020

Acesso em 11/03/2020

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Participação do PET Engenharia Civil UFPR na XIII Jornada Paranaense dos Grupos PET


Por Nathany Cilli de Oliveira

A XIII Jornada Paranaense dos Grupos PET (JOPARPET) aconteceu entre os dias 15 e 17/11/2019, sediado pela Universidade Estadual de Maringá, em Maringá-PR, e teve como tema: “O papel do PET na defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade”. O evento contou com 300 congressistas, e o PET Engenharia Civil da UFPR foi representado por 5 PETianos, sendo 4 membros atuais e 1 egresso.
Integrantes do PET Engenharia Civil UFPR
Fonte: Autor
A XIII JOPARPET, que traz momentos de discussões e interações entre diversos grupos PET do Paraná, tinha como objetivo principal discutir o papel do Programa em defesa das universidades, mostrando como podemos impactar positivamente através das nossas atividades no mundo acadêmico.
As atividades começaram na sexta-feira (15) logo após o credenciamento e o almoço, com participação em oficinas de temas diversos como: plantas medicinais, cuidados aromáticos, Currículo Lattes, a abertura oficial do evento, palestras e um espaço para o MobilizaPET, entre outros. No dia seguinte (16), houveram os Grupos de discussão e trabalho (GDT), espaço onde os PETianos têm de opinar e gerar sugestões ou encaminhamentos sobre os temas discutidos e levados para a Assembleia Geral do evento. Alguns dos PETianos tiveram a oportunidade de coordenar os GDTs, dentre eles: Gabriel Henrique Simões Yagnycz coordenou sobre “Resistência PETiana na garantia da horizontalidade do Programa”; Murilo Ferreira Primo coordenou sobre “Resistência PETiana no aperfeiçoamento do processo de selão e avaliação interna”; e Nathany Cilli de Oliveira coordenou sobre “Resistência PETiana na indissociabilidade da tríade”.
Na parte da tarde do sábado (16) houveram outras atividades de suma importância nos eventos PET. Primeiramente, aconteceu a Mostra de Trabalhos em banners, onde o nosso grupo apresentou sobre dois temas: “BIM: uma análise da grade curricular do curso de Engenharia Civil da UFPR”, apresentado por Natalia Marcarini Simionato e Nathany Cilli Oliveira e “Metodologia de projeto aplicada ao planejamento anual do PET Engenharia Civil da UFPR”, apresentado pelos PETianos Gabriel Henrique Simões Yagnycz e Gabriel Paula Soares Gomes de Souza.
Apresentação de trabalhos em Banner
Fonte: Autor

Apresentação de trabalhos em Banner
Fonte: Autor

            Houve também o Encontro por Atividades, espaço destinado para uma roda de conversa e trocas de experiências dos diversos grupos PET sobre assuntos determinados. Assuntos sobre evasão acadêmica, saúde mental, garantia da horizontalidade do Programa e sobre a atuação PETiana em defesa das universidades. Posteriormente, no mesmo dia (16), aconteceu o Encontro de tutores/petianos, mais um espaço destinado a troca de experiências e conhecimento sobre as características de cada grupo, em busca de um bem comum que é a continuidade do Programa.
No último dia de evento (17) aconteceu a Assembleia Geral, finalizando as atividades da JOPARPET. Foram discutidos todos os encaminhamentos e sugestões vindos dos Grupos de discussão e trabalho tendo decidido muitas ações que os grupos PET devem fazer após a ata oficial do evento e outros que serão levados aos próximos eventos PET. 

Foto oficial do evento
Fonte: Organização da XIII Jornada Paranaense dos Grupos PET

Ainda há muito para se discutir sobre o Programa, por isso é de extrema importância a participação e continuidade dos eventos – JOPARPET, SULPET e ENAPET-. Agradecemos a Comissão Organizadora do XIII JOPARPET por nos proporcionar um evento de tal valia e engrandecimento a todos os participantes e também pela confiança na ajuda da coordenação dos Grupos de discussão e trabalho.
A candidatura do XIV JOPARPET ocorreu no último dia do evento, e será sediado em Londrina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
terça-feira, 19 de novembro de 2019

Construções modulares: nova área da construção civil


Por Dennis Sanchez, discente do PET

            A indústria da construção civil é certamente uma das mais tradicionais, mesmo assim, não deixa de apresentar várias dificuldades. Certamente, um dos desafios enfrentados é o fato de a indústria não ser fixa, ou seja, ela se desloca de acordo com o produto. Por outro lado surge uma alternativa que ameniza o problema e busca facilitar o processo construtivo. As construções modulares.

O novo método deixa de levar a construção até o terreno, assim a construção dos módulos ocorre em uma indústria, em um ambiente controlado, com mão de obra especializada. Os pré fabricados são posteriormente transportados ao local de obra, a qual será montada, ao juntar as unidades. 

Construção de módulos em uma fábrica em Nova Iorque
Fonte: archpaper.com

 Essa nova forma de construir além de moderna e eficiente, provou ser mais sustentável, pois reduz o desperdício de materiais em até um terço, e dependendo do sistema construtivo utilizado, pode ser reciclada ao fim de sua vida útil. Tudo isso garantindo a qualidade do produto final, cujo desempenho é pré testado e garantido. O processo de construção também é mais inteligente devido à utilização do BIM (Building Information Modeling, que permite uma melhor visualização de diversos sistemas, auxiliando a evitar erros e reduzir custos.

Através dos pré fabricados também é possível estimar melhor a duração de cada obra, visto que a construção deixa de depender de fatores climáticos, impedindo as chuvas de influenciarem os prazos. Além de mais previsíveis, os prazos também diminuem de 30% a 50%, pois a construção pode ocorrer enquanto ainda está sendo realizada a fundação da obra.

O arranha-céu Mini Sky City, construído na China, é um prédio com 57 andares, 800 apartamentos e escritórios para aproximadamente 4000 pessoas. O edifício foi construído em apenas 19 dias pela empresa Broad Sustainable Building, usando o método de construções modulares, além de ter estrutura à prova de terremotos. Ao longo de 5 meses foram fabricados 2736 módulos, antes que a construção começasse. O Mini Sky City é oficialmente o segundo prédio construído mais rápido do mundo. 

Arranha-céu Mini Sky City em Changsha, China
Fonte: europe.arcelormittal.com

Nos Estados Unidos o mercado também é mais desenvolvido, e oferece inclusive dois tipos de construção,  permanentes e realocáveis. A primeira é mais comum hoje e dia, já a segunda permite ressignificação da obra múltiplas vezes, sendo possível o transporte e reutilização do pré fabricado. Esses tipos de construção são mais comuns em plantas de vendas, clínicas, escritórios em canteiros, pois em sua maioria são construções temporárias.

Construção modular realocável, central de transmissões ESPN para a USTA
Fonte: triumphmodular.com

A construção modular é uma área que certamente vem ganhando espaço no mercado, que vai se desenvolver ainda mais, já está se consolidando em alguns países e chega aos poucos ao Brasil. Os pré- fabricados, inovadores em vários sentidos, parecem ser o futuro.

Referências

NAKAMURA, Juliana. Construção modular: o que ela pode fazer por sua construtora?. Disponivel em: https://www.buildin.com.br/construcao-modular/. Acesso em 12/11/2019

Acontece IMOB. Construções modulares, uma tendência para a indústria da construção em 2017. Disponível em: http://www.aconteceimobi.com/3/construcoes-modulares. Acesso em 11/11/2019

Modular Building Institute. What is Modular construction. Disponível em: https://www.modular.org/HtmlPage.aspx?name=why_modular. Acesso em 12/11/2019

Época Negócios. China constrói prédio de 57 andares em apenas 19 dias. Época Negócios, 2015. Disponível em https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2015/05/china-constroi-predio-de-57-andares-em-apenas-19-dias.html. Acesso em: 14/11/2019

Whitley man case studies. ESPN Modular Solution to the U.S. Open. Disponível em http://whitleyman.com/casestudies/Office-Buildings/ESPN-Modular-Solution-to-the-U-S-Open. Acesso em: 14/11/2019
sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Nova Central Geradora de Energia gera metade da demanda de energia elétrica no Parque Barigui

Por Maurício Gonçalves, discente do PET


O Parque Barigui inaugurou, no início de outubro, a Central Geradora Hidrelétrica(CGH) Nicolau Klüppel. Seu nome é em homenagem ao engenheiro Nicolau Imthom Klüppel, Engenheiro Civil especializado em saneamento, idealizador de vários parques na cidade de Curitiba, como o próprio Barigui, que dentre outros fins, evitam enchentes na capital paranaense. A CGH gera energia que pode suprir metade da demanda energética do parque, o equivalente ao consumo de 135 residências médias com famílias de 4 pessoas. O Parafuso de Arquimedes, girando de forma invertida, movido pela água, movimenta as turbinas, gerando a energia elétrica para o parque. O Parque Barigui se torna assim, símbolo de energia limpa para Curitiba.

Prefeito Rafael Greca e Secretária Marilza Dias na Inauguração da Central Geradora Hidrelétrica CGH Nicolau Kluppel no vertedouro do Parque Barigui.
Foto: Daniel Castellano; Fonte:https://www.curitiba.pr.gov.br

O planejamento de Nicolau Klüppel para Curitiba

            Nicolau Imthom Kluppel foi um Engenheiro Civil formado na Universidade Federal do Paraná, que trabalhou por mais de 30 anos na prefeitura de Curitiba. Atuou como assessor técnico do prefeito, como Secretário Municipal de Saneamento e na IPPUC(Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba). 
Klüppel era conhecido por encontrar soluções inteligentes e que pareciam impossíveis. Encabeçou o planejamento de parques na cidade, aproveitando vales, transformando rios estreitos lá presentes em lagos, como é o caso do Barigui. Eram assim construídos parques que, além de fornecer área verde e lazer para o curitibano, inundam em períodos muito chuvosos, evitando a inundação de áreas urbanas ao redor. Além do parque Barigui, surgiram outros, como o São Lourenço, Tingui, Tanguá, Regional do Iguaçu e Passaúna.
            Outra jogada do engenheiro foi a ideia de “lixo que não é lixo”, incentivando a população a separar o lixo orgânico do reciclável. Isso facilitou muito a reciclagem e a separação dos detritos. Apesar de os prefeitos terem abandonado esta campanha nos últimos anos, isto virou um hábito para a população. Essa campanha foi retomada apenas pelo atual prefeito, Rafael Greca, que na troca de lixo, fornece alimentos para a população carente.
            Nicolau Kluppel faleceu em 19 de setembro de 2016, aos 86 anos de idade. As contribuições de Nicolau foram vitais para a cidade de Curitiba, com seus resultados evidentes nos dias de hoje.

Iniciativa e etapas da construção

            O PET conversou com o assessor de energias renováveis do prefeito, Adilson Marin, para saber os detalhes e motivações da construção da usina. 
Segundo ele, a ideia surgiu com a bandeira ecológica levantada pelo prefeito Rafael Greca, que busca energias renováveis para a capital paranaense, como os painéis solares que foram instalados na prefeitura. Com isto, a ABRAPCH (Associação Brasileira de Centrais Hidrelétricas) doou para a prefeitura o projeto e os equipamentos necessários para a construção da CGH, não havendo custos para a prefeitura.
            Ainda segundo a assessor, a escolha do Parafuso de Arquimedes foi através do estudo de variáveis do local como a velocidade do rio e a altura da queda de água, percebendo-se assim, a melhor solução de geração de energia limpa no rio. Foi comentado também sobre o maior empecilho para a obra, que foi o tempo chuvoso de Curitiba, o que não é novidade para a cidade.
            A manutenção é muito simples. Consiste apenas em lubrificar o eixo e checar o motor, numa frequência aproximada de 4 em 4 meses, semelhante a como é feito nos chafarizes curitibanos.

Em outubro, Parque Barigui terá mini usina hidrelétrica para gerar a própria energia.  Foto: Daniel Castellano / SMCS
A CGH sendo instalada no parque.
Foto: Daniel Castellano; Fonte:https://www.curitiba.pr.gov.br

O princípio do Parafuso de Arquimedes

            O parafuso de Arquimedes é um mecanismo utilizado para o transporte de líquidos ou granéis de um local mais baixo para um mais alto. Sua invenção é atribuída ao filósofo e matemático grego Arquimedes. Porém, estima-se que poderia ser utilizado há mais tempo no Egito, para a irrigação do delta do Nilo, na Babilônia e também pelos romanos.
O parafuso é inserido em um tubo cilíndrico oco, num plano inclinado, de preferência entre 30 e 45 graus. Ele pode ser rodado manualmente, por um moinho, ou por um motor elétrico, como é atualmente. A extremidade inferior fica imersa no material a ser transportado, e à medida que gira leva-o para cima.
Para o caso de geração de energia, a rosca é instalada de forma inversa. Então, ao invés de se gastar energia girando-a, ela gera energia, com o sentido do fluxo do rio fazendo o parafuso girar.
No Parque Barigui, esta CGH possui velocidade de operação de 30 rotações por minuto, e vazão de 2000 litros de água por segundo. Ao todo, é gerada uma energia equivalente a 21.600 MWh(megawatts hora), o que equivale ao consumo de 135 residências médias, e metade do consumo energético do parque.
Funcionamento do parafuso de Arquimedes para a geração de energia
Fonte:https://linkdigital.ifsc.edu.br

Referências:

ZARUCH, Júlio. Nicolau Klüppel, o homem das águas e das histórias em polaquês Disponível em: http://www.juliozaruch.com.br/nicolau-kluppel-o-homem-das-aguas-e-das-historias-em-polaques. Acesso em: 22/10/2019

CGH Nicolau Kluppel começa a funcionar no Parque Barigui Disponível em: https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/cgh-nicolau-kluppel-comeca-a-funcionar-no-parque-barigui/53005. Acesso em: 26/10/2019

Parafuso de Arquimedes  Disponível em : 
http://www.geocities.ws/saladefisica7/funciona/arquimedes.html. Acesso em: 29/10/2019

Mini hidrelétrica do Parque Barigui será inaugurada nesta sexta-feira. Disponível em: https://www.bemparana.com.br/noticia/mini-hidreletrica-do-parque-barigui-sera-inaugurada-na-sexta. Acesso em: 29/10/2019

CGH Nicolau Klüppel, no Parque Barigui, será inaugurada dia 4 de outubro Disponível em: https://abrapch.org.br/2019/09/18/cgh-nicolau-kluppel-no-parque-barigui-sera-inaugurada-dia-4-de-outubro/. Acesso em: 23/10/2019